A banda YES é um verdadeiro monumento dentro do rock progressivo. A banda, que se iniciou lá no final dos anos 60, marcou para sempre o gênero com obras primas como “Yes Album”, “Fragile”, “Close to the Edge”, “Relayer” e muitos outros discos memoráveis.
Eis que 2026 chegou e agora temos o lançamento do 24° álbum de estúdio do grupo, o terceiro álbum de inéditas nos últimos 5 anos de atividade. O álbum se chama “Aurora”, e é o sucessor do ótimo “Mirror to the Sky”, lançado em 2023.
O YES atravessou ao longo de sua trajetória incontáveis mudanças de formação, seja por diferenças musicais, brigas internas ou o falecimento de alguns membros. Da chamada “formação clássica” do grupo, resta aqui nesse lançamento apenas o guitarrista Steve Howe, que não só é responsável pelas guitarras e violões do grupo, mas assume também o papel de produtor.Mas vamos ao conteúdo do disco.
Não espere encontrar aqui o som progressivo e pomposo que o YES fazia nos anos 60/70, nem tampouco a abordagem mais pop e arena que a banda assumiu nos anos 80 e começo dos anos 90. Ainda que existam lampejos dessas fases em vários trechos das faixas aqui presentes, a banda deixa claro que não pretende simplesmente se auto referenciar ou emular aquilo que fazia em seu passado. Gostem os fãs ou não, o YES se encontra em uma nova fase, que começou lá em 2015 com o álbum “Heaven and Earth”, que marcou a entrada do vocalista Jon Davison.
Aurora segue a mesma linha dos discos anteriores, os bons “The Quest” e o já citado “Mirror to the Sky”, mas apresenta uma evolução tanto nas composições quanto no entrosamento entre os músicos.
Aqui temos uma banda entrosada e cheia de sinergia, em composições muito bem feitas repletas de momentos marcantes, excelentes linhas de guitarra e vocais belíssimos. Os teclados de Geoff Downes também estão mais presentes nesse disco do que nos anteriores, o que deixa tudo ainda mais com a “cara” da banda, que sempre apostou em teclados poderosos e solos interessantes deste instrumento.
A bateria de Jay Schellen é competente, bem como o baixo de Billy Sherwood (ainda que suas linhas não tenham a mesma genialidade e pegada que o saudoso Chris Squire imprimia em cada nota).
Também existem algumas canções que trazem um lado mais orquestral, como a música-título e “Ariadne”, duas composições belíssimas.
Contudo, não se trata de um disco perfeito. Com exceção da música “All Hands on Deck”, que apresenta um riff inicial bastante pesado (para os padrões do YES, logicamente), todas as faixas carecem de um peso a mais, soando todas extremamente “soft” e plácidas. Outro ponto negativo são os vocais de Steve Howe na faixa “Countermovement”...ainda que ele cante afinado, suas habilidades vocais estão muito aquém do que se espera de uma banda tão virtuosa, o que diminui o brilho dessa faixa, que de outra forma poderia se tornar um novo épico na carreira da banda.
Em resumo, ainda que não agrade todos os fãs da banda, especialmente aqueles que insistem em dizer que a atual formação não passa de uma “banda cover” (por não ter nenhum membro original em sua formação), “Aurora” é um disco agradável e consistente, que mostra uma banda coesa e que mira muito mais o futuro do que o passado. Temos aqui uma banda que segue firme e forte no propósito de não viver somente do que já fez, mas disposta a se arriscar em novos discos, novas composições e um novo direcionamento. E convenhamos, lançar 3 bons discos de músicas inéditas em um período de apenas 5 anos não é tarefa fácil.
Vida longa ao YES!
NOTA: 7/10
Tracklist:
1- Aurora
2- Turnaround Situation
3- Love Lies Dreaming
4- Countermovement
5- Ariadne
6- All Hands on Deck
7- Outside the Box
8- Emotional Intelligence
9- Jambustin’ (Bônus Track)
10- Watching the River Roll (Bônus Track)
BANDA:
Steve Howe (guitarra e vocais)
Geoff Downes (teclados)
Billy Sherwood (baixo)
Jon Davison (vocais principais)
Jay Schellen (bateria)











