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terça-feira, 18 de maio de 2021

Bem Vindo à Casa dos Mortos - Resenha de Livro

 A coleção Goosebumps é outra série geralmente subestimada pelos fãs de horror punk. O tom infanto-juvenil e as histórias curtas (média de 60-70 páginas por livro) faz muito fã do horror considerar essas obras como menores dentro do gênero.

Mas algo está errado nessa análise, muito errado.

Primeiro, não dá para subestimar assim tão facilmente essa que é a série de livros de horror mais vendida no mundo em todos os tempos; somando tudo, essa coleção vendeu mais de 400 milhões de cópias.

É a segunda série de livros mais vendida no mundo, ficando atrás apenas da saga Harry Potter (esses dados consideram todos os livros das sagas/séries). E SIM, esse cara - R.L.Stine - já vendeu mais livros de terror do que o Stephen King.

Dá pra ter uma dimensão disso? Senhor dos Anéis vendeu menos do que a coleção Goosebumps.

logicamente, não da para julgar a qualidade de algo exclusivamente pelo sucesso comercial. 50 Tons de Cinza fez milhôes e milhões, e ainda assim continua sendo uma leitura horrorosa (sim, eu li os 3 livros, mas queria "desler").

O que não dá para negar é que por 400 milhões de vezes alguém foi apresentado a uma história de terror por meio dessa coleção.

Mas essa resenha não foi feita para exaltar o sucesso comercial da série, e sim para falar das qualidades literárias da mesma. E ela possui muitas qualidades.


Bem Vindo a Casa dos Mortos


Esse é o primeiro livro da série, lançado em 1992.

Ele conta uma história tradicional do horror, onde uma família herda uma casa - na verdade uma mansão - em uma misteriosa cidade do interior, e por uma série de questões decidem se mudar para lá.

Logo os dois filhos do casal começam a notar coisas estranhas não apenas na casa, mas também nas pessoas e na própria cidade em que estão.

Apesar do tamanho pequeno do livro - eu tenho a edição original em inglês, que tem 80 páginas - o autor R.L.Stine consegue construir uma trama que vai crescendo em ritmo lento, acentuando as estranhezas do cenário, de forma que nós leitores nos sentimos muito conectados com a familia descrita no livro, também conhecendo o local e lidando com as mesmas estranhezas.

Eu acho que esse livro é uma aula de que as vezes, menos é mais. Mais páginas faria o livro ficar arrastado demais. Aqui está tudo na medida certa.

Talvez o unico problema dos livros do R.L.Stine sejam os finais. A gente sabe que de ALGUMA forma as pessoas vão ficar bem no final. Não há espaço para fins escatológicos ou macabros aqui. Claro, muitas vezes fica no ar se o mal daquela aventura foi relmente banido (e são tantos livros que eles invarialvelmente voltam), mas depois quando eles voltam, as pessoas vão ficar bem novamente.

Mas essa é uma questão nem tão complicada de entender.

O Mestre Stephen King disse que não gosta do livro Pet Samatary (aqui no Brasil geralmente chamado de "Cemitério Maldito") por ter escrito um final, segundo ele próprio, "totalmente sem esperança. A maioria dos livros do king, mesmo que de uma forma muito mais visceral, intensa e competente, também trabalha com essa ideia de que o final traz redenção e superação.

Enfim, recomendo muito os livros do R.L.Stine.

Deixem os pré-conceitos de lado, e aproveitem o horror. 400 milhões de vezes isso foi feito com esses livros, sempre cabe mais um.

sábado, 15 de maio de 2021

O Espantalho - Resenha de Livro

A coleção Hora do Espanto é uma série de livros de terror infanto-juvenis escrita pelo autor Edgar J. Hyde.Os livros são relativamente bem sucedidos lá fora, mas aqui no Brasil vejo muita gente falando mal dessa coleção, argumentando que as histórias são muito bestas e que NUNCA dão medo. Acredito que esse tipo argumento venha geralmente de quem não entendeu a essência da proposta da série.


Essa coleção foi feita como um tipo de "cine trash+ sessão da tarde", propositadamente feita para trazer historias de terror totalmente inofensivas. Muita gente compara essa serie com Stephen King ou Clive Baker, e LOGICAMENTE, chega a conclusões bem disparatadas.

Seria o equivalente a analisar um disco do Pink Floyd usando Canibal Corpse como parâmetro de comparação, ou vice versa.

A coleção Hora do Espanto está mais para a série, também infanto-juvenil, Goosebumps.

Temos uma história clássica de espantalho. Todos os elementos que uma história dessas pede está aqui: uma fazenda antiga no meio do nada, uma família inocente, mortes misteriosas se sucedendo, um celeiro. 

Eu, que li a coleção inteira de Edgar J. Hyde, percebo que o autor se diverte muito ao utilizar os clichês do Horror. Invés de tentar ser o novo R.L.Stine ou mesmo o Estevão Rei, me parece que o autor só quer contar uma boa história de espanto, dessas que facilmente seriam contadas em volta de uma fogueira em um acampamento de escoteiros.

Essa despretensiosidade (existe essa palavra?) acaba gerando livros ligeiros e muito agradáveis de se ler. A maioria dos livros da coleção eu li em uma única sentada, e o Espantalho foi nessa pegada.

Essa versão nacional geralmente é encontrada a preços bem acessíveis na internet e em locais como lojas Americanas.

É pra todo mundo?

Não.

Quem busca terror com profundidade,com personagens bem construidos, e algo que realmente passe o sentimento do medo, nem precisa tentar isso aqui. Sério, não há nada disso nesse livro.

Agora quem quer lembrar como era assistir aqueles filmes de terror que passavam na Sessão da Tarde ou no antigo Cinema em Casa, aqui terá um prato cheio de diversão e nostalgia.


Aurora - Yes: Seguindo Firme e Forte (Resenha)

  A banda YES é um verdadeiro monumento dentro do rock progressivo. A banda, que se iniciou lá no final dos anos 60, marcou para sempre o gê...