Mostrando postagens com marcador OPINIÃO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador OPINIÃO. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

DOGMA - Resenha

 E cá estamos nós para mais uma resenha/indicação de banda.

Depois de passar quase 1 ano ouvindo falar da DOGMA, uma banda composta por "freiras góticas", resolvi dar uma chance para seu álbum de estréia (e até agora único álbum), e confesso que fiquei surpreso...mas vamos por partes.

A Banda é formada por 5 mulheres cujas reais identidades não eram conhecidas até bem pouco tempo atrás. Elas usam vestimentas que remetem a freiras juntamente com maquiagens pesadas e corpse Paint que remetem ao black metal, ao horror punk ou mesmo ao gótico.

A banda usa e abusa de encenações e a parte visual é tão importante quanto a parte sonora. Mas seria isso ruim?


O Estilo


Logicamente a primeira coisa que vem a mente quando nos deparamos com a DOGMA é a banda GHOST. Contudo ver a banda simplesmente como uma "versão feminina" do GHOST é um erro tremendo, pois tanto musicalmente quanto liricamente as diferenças são enormes.

O som do DOGMA na verdade passeia por vários estilos, sendo uma tarefa até certo ponto difícil de classificá-lo. Para mim, soa como uma mistura de muito hard rock anos 80 com pitadas de metal sinfônico á lá Within Temptation com alguns aspectos GÓTICOS que remetem ao 69 Eyes.

E claro, não podemos deixar de citar a influência do pop, principalmente nos refrões extremamente grudentos que permeiam todas as músicas, sem exceção.


Mas...e aí?


E aí que, dentro do que a banda se propõe a fazer, tudo é feito com esmero, talento e fidelidade. Elas entregam com perfeição aquilo a que se propuseram fazer.

As composições são super concisas (ainda que todas sigam mais ou menos a mesma fórmula), a qualidade da gravação é cristalina e o nível de execução dos respectivos instrumentos é alto e muito, muito bem feito.

Não é um som para qualquer headbanger, claro! Muitos reclamam das altas doses de pop no som das meninas e, se essa realmente não for sua praia, você de fato não irá comprar a ideia do projeto.

Contudo, para aqueles mais ecléticos, temos aqui um prato cheio de referências. Para mim, é como se o Kiss, o Within Temptation, o Bon Jovi e o 69 Eyes gerassem um híbrido.


A Temática lírica 

Trata-se de um disco conceitual, no qual acompanhamos uma freira que começa a questionar os dogmas e estilo de vida que lhe é imposto, e começa a buscar...outras coisas (acho que os clipes da banda deixam claro que "outras coisas" seriam essas!kkkkkkkk).

Nada muito complexo. Também não temos aqui nenhuma ode ao Cramunhão como o GHOST faz. Os temas da DOGMA giram em torno da liberdade, sensualidade e rebeldia aos padrões estabelecidos. 


Nota

Eu dou uma nota 9 para esse debut. Achei realmente interessante e bem feito, além de ter gostado muito de toda a estética teatral da banda.

terça-feira, 29 de agosto de 2023

Quem é Glenn Danzig na fila do pão? E o que ele tem a ver com Horror Punk BR?

Atenção

Se você veio aqui achando que ia ter treta e polêmica, parabéns: você acaba de ser vítima do chamado "clickbait", quando o título é feito para fazer a pessoa clicar em algo independente de o conteúdo ter relação ou não com ele.

Agora você tem duas opções: sair daqui, ou ver o que eu tenho a dizer sobre Glenn Danzig e sua importância e influência no Horror Punk BR.

Ah, lembrando: Neutro aqui em casa é só o shampoo do meu filho. Muita vezes deixo minha opinião, vocês podem discordar tranquilamente. 
Mas esse lance de ser neutro o tempo todo para mim nunca soou bem....

Glenn Danzig e sua Importância

Falar de Glenn Danzig é falar de um cantor cujo impacto vai muito além da sua voz. A importância de Danzig se deve a um fato que nem sempre é falado: muito mais que um estilo de cantar e compor, Glenn Danzig é um cara que sempre teve clara toda estética que ele queria imprimir em tudo que ele fizesse, estética essa que ia desde sua voz, passando pela sua postura de palco,visual e até o tipo de gravação e sonoridade de cada instrumento em cada CD.

Goste você ou não do baixinho, é inegável que ele sempre foi um artista com características únicas e um estilo pessoal reconhecível desde os primeiros segundos. Ele SEMPRE teve claro como queria que sua música soasse, mesmo quando enveredava para outros estilos, como o industrial durante a década de 90.

Não haveria horror punk sem Danzig, e ouso  dizer que muitos outros gêneros como doom metal, occult rock, industrial e gothic metal seriam bem diferentes se não tivesse existido Glenn Danzig.

Quem é Glenn Danzig na fila do pão?
Um dos músicos mais influentes da história da música moderna.

Outra coisa que desperta muito a atenção é o fato do músico tentar levar sua estética para outras mídias, seja atuando (como no filme Anjos Rebeldes 2), escrevendo e dirigindo cinema, seja roteirizando HQs...em cada uma dessas mídias fazendo trabalhos 100% autorais. Curtindo ou não, sabemos logo de cara: "Isso é TÃO Danzig!".

DANZIG e o Horror Punk BR

Agora a pergunta que não quer calar: qual a maior influência direta que DANZIG trouxe ao Horror Punk Brasileiro?

Bom, dentre as características do horror punk nacional que eu gosto, certamente o espírito do "faça você mesmo" sempre foi o que mais me cativou.
As bandas nacionais de horror punk sabem mais do que qualquer outra a contornar dificuldades financeiras e técnicas para lançar seus sons. 
E sabem sempre manter as características sem se render as comodidades do mercado e dos estúdios.

Essa filosofia "Faça você mesmo" ganhou exposição mundial no cenário da música pesada com a cena norueguesa de Black metal do início da década de 90. 
Claro, o punk dos 70 já havia feito isso, mas não podemos nos esquecer que ainda na virada dos 80 houve uma desilusão com o punk, traduzida pelo movimento post-punk e o new wave, que tomava o caminho inverso: tudo era pomposo, tudo era pretensioso...

Mas a verdade é: mais de uma década antes do Black metal, e quando a atitude punk passava a ser considerada velha, Glenn Danzig perseverança e já fazia o mesmo em absolutamente todos os seus projetos.
E ele manteve essa característica ao longo da carreira até os dias atuais.

Então se existe um grande divulgador do DIY na época em que o horror punk começou a se formar no Brasil, direta ou indiretamente, esse cara foi Glenn Danzig. 
E mesmo quando não estamos conscientemente pensando nisso, toda a nossa postura em relação ao horror punk aqui no Brasil bebe dessa filosofia.
Eu costumo dizer que existem 3 tipos de músicos:

- Aqueles que vão sempre tenta agradar determinado público, mesmo em detrimento de sua própria visão artística
- Aqueles que vão tentar manter a balança entre o que ele QUER fazer e o que seu público QUER ouvir
- E aqueles que vão se manter extremamente fiéis aos seus ideias artísticos, preferindo perder público do que abrir concessões.

Eu respeito as 3 posturas. Cada um sabe onde a vida aperta e as contas que tem que pagar, as bocas que precisa alimentar e os remédios que precisa comprar. Não vou ser hipócrita de apontar dedo para que faz o que precisa para viver com dignidade.

Mas Danzig foi um cara que optou por essa terceira via, mais radical, e foi um exemplo de que essa via também pode dar certo sim (no caso dele, MUITO certo).

E tem muita gente no cenário horror punk Br seguindo essa escolha.

Então, viva Danzig e viva Horror Punk BR!


quinta-feira, 12 de maio de 2022

THE ROCKABILLY HORROR PUNK COLLECTION - O DISCO NOVO DO TLHP GRAVEYARD

 Olá, galera

Essa semana subi em várias plataformas meu novo disco, o rápido "THE ROCKABILLY PUNK ROCK COLLECTION", onde apresento 6 novas composições em 13 minutos de disco.

Amanhã será uma Sexta Feira 13, e achei que essa semana seria a época ideal para lançar. E aqui vou falar um pouco mais sobre esse álbum.

"AINDA É HORROR PUNK, TLHP?"

Com toda certeza! Os elementos de Horror Punk estão lá intactos: a maioria das músicas possui apenas 3 acordes, o som continua cru, e as letras todas sem exceção versam sobre coisas estranhas, cemitérios e criaturas paranormais.

Aliás, sobre as letras é bom frisar que elas são todas inspiradas no RPG de mesa "VAMPIROS DO ESPAÇO SIDERAL", que lancei tanto aqui quanto lá fora no começo desse ano.

Quer conhecer melhor o RPG? Aqui:

VAMPIROS DO ESPAÇO SIDERAL RPG


"E ONDE ENTRA O ROCKABILLY ENTÃO?" 

O ROCKABILLY entra principalmente na estrutura das músicas e nos timbres utilizados.

Das 6 músicas, 5 são estruturadas dentro do chamado "Twelve Bar Blues", uma estrutura musical de 12 compassos que é a base do blues até hoje e que era a base da grande maioria das canções de ROCKABILLY.

Ainda farei um post explicando em detalhes essa estrutura futuramente.

Programei a bateria em ritmos inspirados em músicas de Bill Halley, Chucky Berry e Elvis Presley, e procurei deixar o violão com um timbre mais estridente característico do estilo.


"MAS ISSO NÃO SERIA PSYCHOBILLY, TLHP?"

Essa é uma pergunta muito válida. Mas a resposta é não.

Ainda que eu adore Psychobilly e esteja sempre escutando bandas como The Cramps, Zombie Horror Train, Messer Chups, entre muitas outras, a inspiração primeira e o som que usei de base realmente foi de forma direta o rock dos anos 50 dos nomes citados na pergunta anterior.

"ONDE POSSO ESCUTAR ESSE DISCO, CARA?"

Você pode escutar aqui mesmo. Aqui está:


"TLHP, GOSTEI DEMAIS E QUERO FAZER UMA CONTRIBUIÇÃO PARA VOCÊ...COMO FAZER ISSO?"

Ou...

"ODEIO SEU TRAMPO E QUERO OFERECER UMA GRANA PARA QUE VOCÊ NUNCA MAIS GRAVE NADA NA SUA VIDA, COMO POSSO FAZER ISSO?"

Em ambos os casos acima, vocês podem doar qualquer valor que quiserem via PIX. A chave PIX é 19998972653 (celular)

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

SPOTIFY: Uma verdade MUITO inconveniente (ou: Por que ele é muito ruim para galera independente)

 Quando se pensa em streaming de música, logo se pensa no SPOTIFY. 

É chique dizer que sua música está no SPOTIFY, eu concordo.

Mas o SPOTIFY é todo voltado para quase que literalmente engolir os artistas independentes, e pretendo mostrar agora isso não com opiniões e "achismos", mas com dados e estatisticas sobre a plataforma. Também vou mostrar alguns indicativos que regulam - de acordo com especialistas - a forma como as plataformas de streaming funcionam, e no fim embasar meu ponto de vista. Por mais satisfação que dê ter sua musica na maior plataforma de streamings do mundo, os resultados práticos para artistas independentes são praticamente nulos. 


Quanto paga o spotify por execução?

Os dados mais recentes que encontrei dizem que o Spotify paga 0,00348 dolares a cada reprodução da música. Isso quer dizer que a cada 1000 (mil) reproduções, o artista vai ganhar 3 dolares e 48 centavos. Ah, e por "reprodução" eles só contabilizam quando dura mais de 30 segundos. Qualquer pessoa que escutar sua música por menos tempo que isso não entrará no computo geral.

Obs: Provavelmente deve ter acontecido algum reajuste mais recente, mas nada muito diferente disso não.

Segue abaixo uma lista comparativa entre as diversas plataformas de Streaming, de acordo com o site Tecnoblog.net. 

Serviço de streamingValor pago por reprodução (em dólar)
Spotify0,00348
Apple Music0,00675
YouTube Content ID0,00022
Amazon Music Unlimited0,01123
Deezer0,00562
Google Play0,00554
Pandora0,00203
TIDAL0,00876

Aqui temos uma outra tabela, comparando com ainda mais plataformas:

(eu sei, a imagem está péssima...é muito dificil achar esses dados)

Convenhamos: Atingir mil reproduções de fato dentro do horror punk é uma luta. Logicamente o Misftis consegue isso, mas o artista independente...não sei. E o fato é que para alcançar uma quantidade significativa de reproduções, a banda precisa apostar em divulgação, e não apenas posts em redes sociais, mas sim campanhas de Marketing. E isso vai custar muitas vezes mais do que o retorno que a banda terá.

"Mas o Spotify ajuda a divulgar a banda!"
É uma fala que eu escuto muito, mas...será realmente?

Assim como todas as redes sociais, o Spotify trabalha com algoritmos que vão divulgar e privilegiar quem está no top da popularidade. Logicamente, ele vai direcionar as sugestões de acordo com a playlist selecionada pela pessoa, então muito provavelmente a banda independente de horror punk seja indicada para aqueles ouvintes que já estão escutando horror punk. Que por sua vez tem uma cena tão pequena que muito provavelmente JÁ conheça a banda, ou seja é um ciclo que se fecha muito rapidamente.


Uma pesquisa rapida mostra que as bandas independentes que se destacam dentro da plataforma em 99% das vezes contratam o serviço de DISTRIBUIDORAS DIGITAIS. Empresas como CD BABY e OneRPM, que gerenciam a distribuição das musicas do artista, fazem estudo de marketing (calculando inclusive coisas como o melhor horario para lançarem as musicas, com qual frequência) e principalmente trabalhando o marketing desse material em redes sociais.

ENtrem nos sites dessas Distribuidoras e peçam um Plano de ação gratuito (a CD Baby faz um plano no próprio site como simulação), e vejam a quantidade absurda de coisas que essas empresas fazem. E mesmo com tudo isso, não vai ser toda a banda que vai conseguir monetizar.

Um relatório lançado ano passado sobre o Spotify mostrou que mais de 80% dos artistas inscritos lá ganharam ao LONGO DO ANO TODO menos de um salário mnimo somando os ganhos do ano todo. E na verdade, a maioria desses 80% ganhou muito, muito menos que isso. A maioria das bandas independentes nacionais de rock ganaharam menos de 15 dolares somando tudo ao longo do ano todo.

É muito ingenuidade achar que só colocar a música lá vai fazer "a coisa acontecer". 


Agora, enquanto vitrine e local de "estoque" das musicas, até é possível entender que uma banda queira colocar sua música lá.

Não acho errado colocar sua música lá não. Só não entendo darem preferência por divulgar POR LÁ...isso definitivamente é estranho em termos práticos.

Mas uma vez que o publico que a banda vai atingir JÁ é essencialmente o publico que JÁ acompanha a banda, plataformas como youtube cumprem a mesmissima função. 


"Qual seria então uma alternativa?"

Vou falar dentro da MINHA experiência enquanto musico independente.

A melhor opção me parece o BANDCAMP. O BANDCAMP é uma plataforma de escuta e venda de músicas, onde o musico fica com a MAIOR porcentagem de cada musica ou produto (é possivel vender outras coisas, como camisetas, canecas, posters...). A plataforma fica apenas com uma pequena porcentagem. É o oposto do que ocorre no Spotify. Você coloca o preço que quiser em sua musica ou produto, inclusive tendo a opção de colocar a opção "Pague quanto quiser".

Além de ser um local gratuito de armazenamento de suas musicas e escuta online, o BANDCAMP foca em projetos independentes. Tudo lá é feito para favorecer o artista e a banda underground.

Os pagamentos são feitos via paypal, e tudo que vc precisa e cadastrar um email.

Funciona? Será que funciona mesmo?

Vou falar dos meus números:

Mesmo tendo um numero ridículo de seguidores no Bandcamp (acho que 8 ou 9 pessoas), não passa um mês sem realizar alguma venda. O preço que coloco nas minhas músicas variam de "Pague quanto quiser" à 5 dólares (album completo).

Meu faturamenteo mensal ali varia de 10 a 30 dólares, ou seja de 50 a 150 reais atualmente. Meu numero de escutas não é nada impressionante: Tenho cerca de 300 reproduções por mês ali, um número muito baixo.

Mas olhem quando comparo com o Spotify:

300 reproduções no Spotify me renderiam 1 dolar e 4 centavos.

No Bandcamp, com esse numero de reproduções ganho de 10 a 30 dolares.


Logicamente, estou comparando coisas diferentes. No Spotify você recebe por reprodução, e no Bandcamp você recebe por venda direta.

Mas mesmo assim, me parece um esquema MUITO mais justo.

Outra vantagem é que no BANDCAMP uma unica pessoa que quiser te apoiar pode realmente te ajudar. Lembro que no primeiro mês no Bandcamp fiz 20 dólares, mas foi a compra de uma unica moça que comprou 5 musicas no esquema PWYW e pagou 20 dolares.

domingo, 7 de novembro de 2021

Faz sentido purismo cultural dentro do Horror Punk?

 Toda banda ou artista que canta/compõe música em inglês aqui no Brasil já ouviu isso milhares de vezes:

"Tá pagando pau pra gringo? Canta em português, pô, tu nasceu no Brasil!"

Logicamente nem sempre com esse tom agressivo, mas com certeza MUITAS variações desse argumento.

Aí você grava músicas em português, e tem que ouvir:

"Ahhh, mas tá fazendo isso só pra fazer média, né, paga pau!".

Eu tenho discos gravados dentro dos 2 idiomas. Também tenho composições em latim (a música "Dies Irae"), que é um idioma que domino, e música em Guarani ("Carcará-Vingança"). Pretendo em algum momento lançar um disco só com letras em espanhol também, pois adoro a língua. 

Poderia ficar enrolando em dar minha opinião, mas aqui está ela: esse pensamento faz tanto sentido quanto o Manuscrito Voynich. É uma opinião escrotaça que deixa de considerar um zilhão de fatos básicos.


O Purismo cultural musical


Vamos analisar mais a fundo.

Essa ideia de que se você nasceu em determinado país você DEVE se expressar apenas dentro da lingua e de gêneros nacionais recebe vários nomes, sendo o mais comum o nome "Purismo cultural", ou "Purismo musical,".

Não vou nem discutir isso em âmbito geral. Vou focar apenas dentro do Horror Punk.

Faz sentido cobrar por Purismo cultural dentro do horror punk?

Faz sentido cobrar Purismo cultural dentro de um gênero que surgiu nos Estados Unidos na década de 70? Peço que se atentem as palavras "ESTADOS UNIDOS".

O horror punk não surgiu no Brasil. 

Se é pra ser purista cultural, não se devia sequer estar tocando esse estilo.


A questão linguística

"Aí, TLHP, mas cantar em português facilita o entendimento, a mensagem".

Sim, concordo. Se o seu foco for exclusivamente o mercado nacional, o enorme e GIGANTESCO cenário horror punk brasileiro, está valendo. Desculpem a ironia, mas temos sim que reconhecer que a cena nacional de horror punk, ainda que competente, variada e produtiva, com muita gente boa e bandas incríveis, é muito, muito pequena.

Qual é o problema se a banda almeja entrar no mercado internacional? Cantar em inglês pode ser uma ferramenta facilitadora.

"Ahhh, então você vai se vender, é isso?"

Não. Mas se eu gosto da minha música, e quero que ela chegue ao maior número de pessoas, porque não?

Todo mês eu pago as fraldas e o leite do meu filho com a grana que pinga no Bandcamp do TLHP GRAVEYARD, e TODAS as vendas são de pessoas FORA do Brasil, raríssimas exceções.

Mesmo quando canto em português acontece um fenômeno curioso: o meu disco "A Morte Veio antes do segundo Take", com 13 músicas cantadas em português, tem mais downloads na Argentina e nos USA do que aqui do Brasil.

Em números absolutos (contando até hoje, 8 de Novembro de 2021) foram 27 downloads da Argentina, 43 dos Estados Unidos, e apenas 19 do Brasil. 


O Contato com outros idiomas passa pelo histórico de vida de cada um

Outro fator a ser considerado é o quanto uma segunda língua é natural para você. Eu falo inglês fluente desde meus 13 anos de idade, e trabalho como professor desde que tinha 18 (hoje tenho 38).

"Ahhh, mas se você é um Playboyzinho, não tenho a ver com isso, cara"

Na verdade, sou filho de uma empregada doméstica e um encanador. Nem meu pai nem minha mãe concluíram sequer o ensino fundamental.

Sou autista, o que traz uma série de consequências bem limitantes em minha vida. Não consigo fazer 1 milhão de coisas que para quase todo mundo é absolutamente trivial. Não consigo usar lápis, por exemplo, pois o som do grafite no papel me dá crises de desregulação (pesquisem sobre isso, é um porre).

Mas por outro lado, também em decorrência do autismo, eu tenho uma grande facilidade de aprender certas coisas de forma rápida e totalmente auto didata, como idiomas.

Aprendi inglês, espanhol e Latim por conta disso.

E junte a isso o fato de meu hiperfoco autista ser a literatura, temos um cenário em que para mim esses idiomas são tão presentes em minha vida quanto o próprio português.

Vivemos em um mundo interconectado, onde as informações chegam de lugares próximos e distantes.

A maioria das pessoas que defendem esse Purismo quase sempre estão vestindo camisas e usando celulares feitos na China, e já passaram horas escutando Ramones, Misfits, Metallica, Iron Maiden, Deep Purple. Vestem tênnis de marcas americanas e se amarram em motocicletas feitas em uma fábrica lá do Tenesse.

E como eu falei, em minha vida, esses outros idiomas são super comuns. 

Agora, na hora de compor, para agradar ultra nacionalistas que bebem Black Label eu preciso fingir que inglês é uma língua com a qual eu não estou familiarizado?

Não faz sentido.

Rock and roll, punk rock, horror punk são estilos que se tornaram universais. Eles não saíram de suas fronteiras para serem "aprisionadas" em outras. Isso sim é desvirtuar a essência desses estilos.

Esses estilos sempre pregam a liberdade. Rock and roll é liberdade.

E não dá pra apoiar a liberdade cagando regra sobre o que as pessoas devem fazer.

Se quiser cantar horror punk em sanscrito arcaico, cante: isso não faz de você um vendido paga pau de gringo, faz de você apenas um artista cantando em sanscrito arcaico.

Tem um certo presidente por aí que adora usar discurso de Purismo cultural...

 

terça-feira, 26 de outubro de 2021

O incrível lado musical do Horror Punk - Parte 1

 A maior parte do pessoal que acompanha meu blog é formada por pessoas de fora da cena horror punk, então achei pertinente fazer esse artigo apontando tudo que o horror punk trabalha musicalmente e faz desse estilo uma coisa única.

Esse artigo também vem no intuito de expressar tudo aquilo que realmente me traz para o gênero.

PARA ALÉM DA ATITUDE DE "FODA-SE"

Existe um certo imaginário, até certo ponto reforçado pela galera do rock, que o gênero se associa a um certo "way of life" ou postura. Algumas partes dessa postura eu realmente gosto muito, como a rebeldia, um certo senso revolucionário, uma atitude crítica frente á sociedade. Essas coisas me atraem muito para o rock, o punk, o horror punk e o metal.

No entanto, algumas coisas TB associadas ao público roqueiro me são totalmente indiferentes, como cerveja (não bebo nada alcoólico há mais de 10 anos), churrasco (que acho um porre total), aglomerações (em parte por conta do autismo,em partes por achar chato mesmo)...

Mas se tem uma coisa que realmente me trouxe para o horror punk, foram os aspectos musicais.

Por mais simples e direto que seja o estilo, tem muita coisa acontecendo em uma música de horror punk, e vou postar aqui algumas delas que eu considero bacanas.


1- MIX DE MUITOS ESTILOS

Como o próprio nome diz, tem muito de punk. Mas o som vai muito além disso. O horror punk possui a qualidade de conseguir passear por qualquer gênero. Muitas bandas colocam muitos elementos de ROCKABILLY (como o Braindead em seu primeiro disco), outras muita coisa de death ou trash (como o Dead Live), muitas partem para um lance mais hardcore, enquanto outras acrescentam elementos de folk rock, blues...e muito mais.

E tem bandas que fazem tudo isso, as vezes dentro da mesma música!

Isso gera uma cena muito variada, especialmente no Brasil. Lá fora, de maneira geral, as bandas ainda se prendem a mais "padrões", ao passo que a cena nacional é extremamente variada com bandas de influências muito diversas entre si.


2- MINIMALISMO

A maior parte das composições horror punk são curtas. É difícil encontrar músicas de horror punk que passem dos 4 minutos de duração.

Isso acaba fazendo com que as bandas procurem criar estruturas mais diretas, que sejam capazes de transmitir a mensagem/ideia de forma clara. Isso é muito interessante, especialmente no rock onde muitos sub-gêneros trazem músicas longas e cheia de elementos, e que parecem trabalhar no sentido oposto.

As duas abordagens são válidas, e é muito bom ver um gênero apostando nesse minimalismo musical como proposta, certamente uma característica do punk que o horror manteve intacta.


3- MELODIAS

Não é uma prerrogativa de TODAS as bandas, mas podemos dizer sim que uma boa parte dos grupos gostam de criar melodias vocais marcantes e até certo ponto grudentas. 

Criar melodias vocais é sempre um desafio, e ver que o horror punk possui centenas e centenas de músicas com linhas vocais muito bem construídas e marcantes com certeza foi algo que sempre admirei no gênero.


4- REFERÊNCIAS

Eu adoro a quantidade gigante de referências a livros, filmes, seriados e acontecimentos reais que podemos encontrar nas letras de horror punk. É possível conhecer muito da cultura pop de horror apenas prestando atenção às letras das bandas.

Lá fora,uma coisa que eu acho muito legal é a vibe de colocar trechos de áudio de filmes clássicos em aberturas de discos e/ou músicas. Muitas bandas fazem isso (não faço ideia como fica a questão de direitos legais, mas enfim), e tentar descobrir o filme é tipo um hobby para mim.





quarta-feira, 7 de julho de 2021

Como contribuir com a cena do Horror Punk nacional? - Parte 1

Olá, pessoal

Sei que esse título é bem auto explicativo, e a maior parte do que eu falarei aqui serão coisas óbvias.

Mas pela importância do tema, acho que é sempre válido lembrar e relembrar.

A cena do Horror Punk nacional é muito produtiva. Temos dezenas de discos fantásticos, de muitas bandas diferentes. E ao mesmo tempo, é uma cena relativamente pequena e independente. E que conta muito com a participação efetiva de todos para prosperar e sobreviver.



Colocarei na forma de tópicos, comentando um pouco sobre cada 1 deles:

1- Ajude a divulgar a cena para ALÉM da cena

De tempos em tempos, coloque nas suas redes sociais um video ou clipe de alguma banda da cena. Pode ser a SUA banda, inclusive. Compartilhe em grupos que não fazem parte da cena, mas que possam ter interesse. O número de pessoas que se interessam pelo genero "horror" é enorme, em filmes, livros e séries. Muitas dessas pessoas são fãs em potencial do nosso estilo, apenas não sabem ainda.


2- Apoie as inciativas dentro da cena

Uma banda da cena lançou video clipe novo? Dê um like. Uma banda fez um post em alguma rede? Comente. Como o Popeye do Sertão Sangrento certa vez me disse, só de alguém na cena ter a coragem de fazer algo já merece nossa aprovação. Se não está sendo passada nenhuma mensagem "torta" ou criminosa, apoie, mesmo que for algo fora do seu gosto pessoal. Se realmente não gostou, invés de parecer um tiozão roqueiro  truzão que não gosta de nada e está com o dedo do "dislike" sempre pronto, entre em contato com a banda em privado, e diga o que você acha que a banda possa fazer para melhorar ainda mais aquilo que você não curtiu. É bem mais trabalhoso do que simplesmente dar um "não curti", mas irá contribuir muito mais.

A cena já é pequena, e se a galera de dentro dela jogar contra uns contra os outros, aí que não vai para a frente mesmo!


3- Compre material oficial que as bandas produzem (se você tiver condições)

Principalmente agora, onde muita gente dentro da cena teve quedas de rendimentos bem significativas. Se você tiver condições, compre o merchandising oficial. Aquele boné , adesivos, cds...


4- Entre em contato com as bandas que você curte

Faça a galera saber que você está curtindo o que ela tem feito. Saber que tem pessoas aí curtindo o seu trampo motiva muito, e se reverte em mais inspiração para que mais material seja produzido.


5- Mostre o seu trabalho

Não tenha medo de mostrar aquilo que você faz que se relaciona com a cena. Se você é desenhista, design, musico...não precisa esperar ficar perfeito. Mostre. Sempre tem gente aí fora, pronto para ver, comentar, curtir, dar o feedback.


6- Não desanime

Continue produzindo. Como dito no primeiro item, tem muita gente que ainda não está na cena que entrará quando conhecer o genero horror punk. Eu sinceramente acho que é uma das vertentes do rock com o maior apelo para além do seu público habitual. Então vale a pena continuar até ver toda essa galera ser abarcada.


Por enquanto é isso!

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Horror para além do punk

 Horror Punk é logicamente meu estilo de música predileto. E uma coisa que o horror punk fez foi me fazer prestar atenção a bandas de outros estilos que abordam o tema do terror.

Antes de conhecer o horror punk, eu era mais ligado a cena do Rock Progressivo de nomes como YES, Marillion, Jethro Tull, Renaissance e Emerson, Lake and Palmer, e no Power metal de bandas como Helloween, Angra, Hammerfall, Rhapsody of Fire e Edguy.

Ainda curto muito esses estilos. O horror punk veio se somar a esses estilos, não substituí-los. Mas a descoberta do horror punk lá em 2011, 2012 me fez prestar atenção em outros sons do metal de alguma forma relacionados.

E vou aqui falar de 3 bandas de metal que sempre invadem minhas playlists de horror punk: Alice Cooper, King Diamond e Ghost.


ALICE COOPER

Eu já conhecia Alice Cooper antes, tendo inclusive ouvido discos inteiros do artista. Mas ao contrário da maioria do público roqueiro, eu nunca fui muito ligado no som mais hard rock do músico. Isso mudou quando peguei para escutar os disco do Alice do início dos anos 2000. Discos como "Brutal Planet"(2000), "Dragontown" (2001), "The Eyes" (2003) e "Paranormal" (2017) caíram bem dentro do meu gosto musical. Esses álbuns trazem uma sonoridade menos festiva, mais densa, pesada...adoro a fase pós-2000 do cara!


KING DIAMOND

King Diamond é definitivamente, na minha opinião, o rei do horror quando o assunto é música. Além de ter uma sonoridade que realmente me agrada, muitos dos discos dele trazem histórias muito bem elaboradas, tétricas, e com uma qualidade literária enorme. Costumo dizer que King Diamond é o Stephen King do metal. Tudo dele é incrivelmente bom.


GHOST

Eu nunca vou entender porque o pessoal do rock e metal critica tanto o Ghost. As críticas são no sentido de que o som da banda é leve demais, pop...mas se você pegar algumas das bandas que influênciam o conjunto, como BLUE OYSTER CULT, SIR LORD BALTMORE, e outros, verá que a proposta da banda é condizente  essa vibe. 

Os clipes, as maquiagens, as fantasias...acho todo aspecto visual da banda um absurdo de legal. Eu realmente gosto muito da voz do cara, adoro, parece uma versão hippie do king Diamond (e eu realmente curto uma vibe hiponga... adoro Jeferson Airplane, Strawberry Clock Alarm, e afins).

Enfim... é normal vir algumas músicas dessa galera depois de um som do Blitzkid ou do Pesadelo Brasileiro.....




sexta-feira, 14 de maio de 2021

Calabrese - um bom exemplo a ser seguido

Começo confessando que não curto o som da banda Calabrese. Já tentei ouvir em muitas oportunidades e ocasiões, mas nunca rolou "aquele tchan".


Não acho ruim, jamais. É bem feito, e se analisado do ponto de vista tecnicamente musical, tem muitas qualidades. Mas nunca escutei uma música deles que me desse vontade de voltar e escutar de novo.

Isso, no entanto, não me impede de admirar a banda por outros motivos, que direi abaixo.

Vejam bem, tudo que se segue é a minha percepção; talvez você conheça a banda mais de perto e tenha outras versões dos fatos.

Esse post é para comentar sobre a presença das bandas nas redes sociais. Ao menos, naquelas em que eu acompanho.


Uma banda atenciosa


Duas coisas me chamam muito a atenção sobre a presença da banda nas redes:

1- Eles sempre respondem aos comentários nos posts que eles fazem. 

2- Eles comentam, espontaneamente, nos posts de outras pessoas.


Sei que pode parecer bobeira, mas é um diferencial e algo raríssimo de se ver hoje, em qualquer estilo.

Ja cansei de ver bandas bem menos famosas que o Calabrese ignorando comentários de fãs. 

O mais bacana que eu vejo neles é o fato de que eles interagem com posts de pessoas normais, e não apenas organizadores de festivais, bandas maiores e marcas que possam investir na banda. Eles passam a impressão de que eles estão realmente querendo interagir, e não apenas se promover.

NÃO estou dizendo que o Calabrese seja a ÚNICA banda que faça isso na cena.

vejo outras bandas, inclusive na cena nacional, agindo da mesma forma. Não a maioria.

Escolhi o Calabrese justamente pelo fato de não gostar dos sons dos caras.

Uma banda sempre vai além do som que pratica. Houve uma época em que a identificação passava muito pela estética visual da banda. 

Por exemplo, ainda que o Led Zeppelin tivesse musicas como "Going to California", o som da banda era MUITO mais denso, pesado e distante do que  bandas psicodélicas como Jefferson Airplane; no entanto, o público hiponga da banda era enorme, e muito disso se devia exclusivamente ao visual do Robert Plant.

 Isso lógicamente continua sendo importante, mas o advento das redes sociais também fez com que essa identificação atingisse novos patamares.

Como eu sempre falo, o risco da profissionalização é tornar tudo impessoal, mecânico. Em uma empresa de contabilidade ou em uma fábrica de motores isso seria ótimo, mas no campo das artes não é tão simples assim, não é tão fácil assim.

Dentro do seu gênero, o CALABRESE pode ser considerado um nome grande. Aliás, chego a dizer que talvez a banda esteja no caminho de tornar-se REALMENTE grande.

Enfim, é só isso mesmo.

As vezes acho que o mundo das artes pode fazer a diferença, fugindo das impessoalidades frias e imparciais, e ser próxima e pessoal, mesmo em tempos de pandemia.

Pensei em uma frase do Che Guevara para terminar aqui, mas essa semana já deu a cota de ser chamado de comunista (toda semana, sempre, muitas vezes), e além do mais eu sei que vocês sabem que frase é essa.

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Opinião Horror Punk: O espírito "Faça Você Mesmo" não é mais como era antigamente?

 Eu sou muito adepto da postura "Faça Você Mesmo", que o punk popularizou (embora ao longo da história muita gente ja estivesse praticando isso, de Leonardo da Vinci ao blues aos caras que inventaram a guitarra elétrica).

Não apenas na mùsica, onde gravei de forma 200% artesanal 5 discos e 1 EP usando um celular, mas também em outras áreas eu procuro levar o "Faça Você Mesmo" em tudo. 

Também atuo como escritor e já publiquei algumas coisas por meio de editoras, de uma maneira mais formal. Eis aqui alguns dos meus trabalhos publicados nesse modelo mais "comum". Sou um dos autores de cada uma dessas coletâneas :




Mas fato é que nunca gostei muito desse esquema de precisar da aprovação de alguém para que eu possa mostrar meu trabalho. 

Ou pior: depender da aprovação de alguém para produzir.

Por isso, montei minha própria editora independente, a TLHP GAMES, onde eu literalmente confecciono o Livro todo, do texto à diagramação, da arte à divulgação. Eis aqui alguns trabalhos que ja publiquei de forma Independente:




O "Faça Você Mesmo" diz que você não deve ficar esperando as condições ideias caírem do céu; jamais. Dentro dessa filosofia, temos 2 caminhos possíveis: correr atrás para que as condições ideiais (ou algo próximo disso) sejam alcançadas, ou então que se faça o pretendido com aquilo que temos em mãos AGORA.

As duas posturas são excelentes e válidas. Mas o segundo caminho mora no meu coração. 

Mas...as vezes me parece que as demandas e exigências do mercado atual, em tudo, tem mudado o "Do it Yourself".

Será que o "Faça Você Mesmo" não é mais como era antigamente?


A minha Visão 


Eu acho que o mercado tem se esforçado muito para conter e até mesmo barrar o "Faça Você Mesmo". Quanto mais gente embarcar nessa de verdade, menos os artistas dependerão de terceiros.

Sites como CATARSE, KICKANTE, APOIA-SE, KICKSTARTER, com a ideia de Financiamento Coletivo tem trabalho fortemente com a intenção de diminuir a distância entre a ideia e o final. De dar ferramentas para que projetos independentes possam cada vez mais se concretizar de forma independente mesmo.

 Por exemplo, o livro acima "Cybercidades e SYnthwave" foi lançado dessa forma, através de FCs. Eu vendi o livro antes sequer dele ter sido escrito. Você apresenta a ideia, e quem "comprar" essa ideia, apoia.

Ao mesmo tempo, e falando agora especificamente de mùsica, as tecnologias de gravação e as formas de promoção evoluíram tanto que a maioria esmagadora dos artistas também tem altos parâmetros de todos os elementos que eles querem para seus trabalhos. Isso é muito bom, mas já vi mais de um projeto ir pra gaveta da eternidade pelo fato da banda não ter como atingir esses parâmetros, e preferir NÃO lançar algo do que lançar com "adaptações".

Algumas gravações que nos anos 70, 80 seriam consideradas "ok" muito provavelmente hoje em dia seriam motivo de chacota.

Os meus discos são diariamente criticados e desprezados por conta da qualidade de gravação. Porque eu literalmente gravo tudo no celular. Se eu continuo compondo e gravando assim, é devido a um gosto imenso por esse "Faça Você Mesmo" mais visceral, mais lo-fi.

 E também por estar cagando para críticas e opinião alheia, confesso. Eu não dou a mínima.

Nunca entenderei quem precisa de likes constantes e elogios pra continuar produzindo. Elogios são legais, mas depender deles é um inferno eterno. Meu projeto musical surgiu como uma brincadeira pedagógica e acabou dando mais frutos que o esperado, como participação em uma coletânea norte americana (com a música "The Root from All Evil") e ter musica transformada em tema oficial da Editora 101 GAMES (com a música "Vampires are Awake). Dentro do que eu poderia esperar dessa tosqueira, já foi infinitamente além.

Mas voltando ao "Faça Você Mesmo"...

A inserção em qualquer tipo de mercado tem exigido cada vez mais "profissionalização". Não estou dizendo que isso é ruim. Isso tende a manter a qualidade do que a cena apresenta alta.

Mas TEM QUE EXISTIR o lado tosco da coisa. Tem que existir pessoas fazendo coisas de uma forma que qualquer pessoa veja e pense: "eu também posso fazer isso!". Muita gente vai entrar para cena por isso.

E é o Faça Você Mesmo que geralmente acrescenta esse aspecto a qualquer cena ou mercado.

A profissionalização é logicamente um caminho sem volta, e traz muita coisa boa. Mas na minha opinião traz como consequência negativa um certo engessamento da espontaneidade. Tem que ter a galera gravando em uma mesa de 32 canais. É importante que tenha. Mas tem que ter também a galera gravando o ensaio na garagem e lançando isso na cara e na coragem.

É uma visão ingênua, infantil, de um mundo que não existe mais?

Pode até ser. Provavelmente é tudo isso mesmo.

Mas é uma visão que sempre defenderei.

Não digo que nunca sairei dela; quero sim um dia pegar umas 6 ou 7 musicas do meu projeto e gravar num estudio foda. Provavelmente farei isso.

Mas qualquer um que apareça fazendo tudo pelo avesso vai automaticamente ter o meu respeito.


Como é a recepção do "Faça Você Mesmo"


No meu ver, o Brasil ainda se prende a esquemas de produção cultural e comercialização mais tradicionais, mesmo em meios mais UNDERGROUNDs. De maneira geral, me parece que as pessoas ainda NECESSITAM de um selo, da aprovação de uma gravadora ou editora para validar algo. Já fui muito ativo em cenas underground outras, como de musica pop (por quase 2 anos, fui produtor e agente do cantor pop piracicabano Kyle Vince), e me parece que invés de abraçar o underground como proposta e identidade, muitos artistas encaram como um "mal necessário" que deve ser superado para se atingir o maintream. E nada de errado em pensar assim, todo mundo tem contas pra pagar, e cada um sabe onde o sapato aperta. Mas isso acaba enfraquecendo o faça você mesmo underground, infelizmente.

Nesse aspecto, me parece - e essa é só a minha percepção - que ainda estamos um passo atrás do tipo de receptividade que acontece lá fora.

E logicamente não falo apenas de Horror Punk, mas do mercado musical e cultural em geral.

Não descarto a possibilidade de que a pouca receptividade aqui das minhas produções se devam a baixa qualidade delas. É totalmente possível, e o "Faça Você Mesmo" não deve ser desculpa para diminuir a qualidade da cena.

Mas um exemplo que embasa minha visão:

Divulguei a arte da capa que fiz 100% recentemente em alguns grupos e comunidades lá fora, e rendeu muitos bons comentários, dicas, e até debates sobre tecnicas de criação. 

Aqui, mesmo divulgando em mais lugares (quase o dobro de lugares) a recepção foi extremamente fria, pra dizer o mínimo!kkkkkkkkkk:

Deixo aqui a arte pra cada um chegue as próprias conclusões:



domingo, 2 de maio de 2021

Opinião Horror Punk: Cantar em Inglês...banda nacional...e aí?

 Mesmo morando em uma Comunidade rural, aos 14 anos de idade consegui me tornar fluente em inglês, de forma auto-didata.

Com certeza o fato de ser autista com vários hiperfocos teve muito a ver com isso. Ser autista traz um monte de complicações, mas também alguns benefícios.

Aos 16 anos eu me tornei o único professor de Inglês da cidade em que morava, e desde então esse idioma tem sido responsável, direta ou indiretamente, por 90% de tudo que conquistei na vida.

Pode parecer que essa introdução auto indulgente não tem nada a ver com o tema do post, mas a minha opinião só vai ficar clara tendo isso em mente.

Antes de postar esse texto eu ouvi a opinião de alguns amigos e  amigas do mundo do rock ( valeu demais, João, Rafael, Thaita e Mendes!).

Vejo algumas pessoas fazerem essa separação entre "bandas que cantam em inglês" e " bandas que cantam em Português", e conheço SIM um número razoável de pessoas que não consideram as bandas que não cantam em português como parte da cena.

Se você não conhece, parabéns, só não venha cagar regra nisso, OK? Falar que "eu não conheço a cena"é de uma pretensão gigante. A cena é ampla e tem MUITA coisa rolando por aí que não está no filtro mesmo de quem está nela desde o começo.

Uma vez que minha banda tem 5 discos e 1 EP cantados em Inglês, e agora vai lançar um disco todo em português, eu meio que transito nos 2 mundos.

Esse artigo não é para quem, assim como eu, acha que fazer essa dívisão não faz sentido. Eu acho que música é mùsica, que vivemos conectados num mundo  com fronteiras líquidas (um abraço, Baumann), e que, inspirado pela reflexão "Palido Ponto Azul" do Carl Sagan, eu não vou diminuir ainda mais o tamanho do meu mundo.

Esse texto é para refletir sobre 2 argumentos que surgiram nas conversas que tive com a galera citada acima.

Inclusive eles leram isso antes de postar.

1° Argumento:

"Cantar em Português faz as pessoas entenderem mais a mensagem" - um argumento válido


Como professor de inglês por mais de 20 anos, posso afirmar sem qualquer medo de erro que apenas uma pequena parcela da população domina o idioma no nível da fluência.

Durante muito tempo escolas de inglês converteram a lingua em um diferencial voltado as classes abastadas, ao mesmo tempo em que o ensino público sucateava o idioma. Eu já dei aula de inglês no ensino público e também em escolas como Wizard, Yazig, People e CNA, ambos os modelos são extremamente problemáticos.

Dessa forma, cantar em português realmente torna a mensagem mais abrangente.

2° Argumento:

"Cantar em Português tem a ver com nossa Identidade" - Um argumento zoadíssimo


Esse argumento é problemático em vários niveis diferentes. Vou comentar apenas alguns poucos.

Português é nossa identidade?

Vamos considerar que sim. E estender isso ao rock e o Horror Punk.

O rock, o punk, são estilos que surgiram FORA do Brasil.

Se é pra se manter fiel a esse conceito de "identidade", então que se busque também generos nacionais.

Um "Horror -Maracatú", um "Horror-Catira", um "Horror-Modão" faria muito mais jus a esse argumento de "identidade".

Eu, particularmente, tenho achado mais fácil cantar em português, do ponto de vista fonético. Eu acho o português uma língua mais bem construida do que o Inglês.

E quando o assunto é Horror punk, eu realmente gosto mais daquelas bandas que cantam em português.

Só acho que quando se apela para o argumento da "identidade", tocando um gênero musical que surgiu milhares de kilometros longe, em outro país, é um argumento muito fraco.

E outro ponto: Que identidade?

Porque o INGLÊS faz tanto parte da minha identidade quanto o português. E isso não faz de mim menos brasileiro. A maioria das escolas particulares prezam que os professores falem inglês o maximo possível, e nesses 20 anos de docência a quantidade de tempo que eu passei falando inglês foi enorme.

Também acho que muitas vezes usar o termo "identidade" enquanto brasileiro acaba caindo em um nacionalismo que principalmente hoje em dia me irrita profundamente. O que tem de imbecil saindo nas ruas com camiseta da seleção em defesa da nossa "identidade nacional" não está escrito.

terça-feira, 27 de abril de 2021

Horror Punk: Gravando de forma artesanal e independente

Hoje vou contar passo a passo a forma como eu gravo minhas músicas. 

Vejo muita gente querendo gravar, registrar suas músicas, mas muitas vezes as condições (ou condições ideias) nunca aparecem, e no fim o tempo passa e a vontade esfria, e nada acontece.

Então que fique claro: NÃO É UM TUTORIAL. NÃO ESTOU QUERENDO ENSINAR NINGUÉM.

É só pra partilhar algo que eu gostaria que tivessem partilhado comigo anos atrás.

Gravo de forma que tenho certeza vai fazer muita gente torcer o nariz, mas foi a forma que eu encontrei de registrar minhas criações e composições, a um custo zero.

Os resultados ficam logicamente muito aquém de uma gravação em estúdio, mas acho que dentro da possibilidade os resultados são bastante aceitáveis. Segue uma música que gravei recentemente, escutem e me digam:

Fazenda do Terror


Passo 1


Gostaria de deixar claro que eu SEI como funciona uma gravação "profissional" de uma música. Na faculdade,tive as matérias "Mùsica e Tecnologia", além das disciplinas práticas "Pratica de Estúdio I" e " Prática de Estúdio II".

Sei também que existem mil programas melhores do que eu uso, e um zilhão de outros caminhos. Mas no fim, foi dessa forma que descobri o que é confortável, facil e divertido PARA MIM.

Eu uso acima de tudo apps gratuitos de celular e programas de computador também gratuitos.

A música acima eu gravei utilizando um app levinho de celular chamado VOICE RECORDER. E o programa de computador AUDACITY, também gratuito e extremamente simples de usar.


Gravando os instrumentos

Durante muito tempo eu tentei montar uma banda. Diante dessa impossibilidade, eu decidi que gravaria todos os instrumentos eu mesmo. 

Primeiro, em um quarto com uma acústica razoável, eu gravo a bateria. Gravo utilizando metrônomo. Como sou péssimo baterista, evito viradas e mudanças de ritmo; gravo tudo reto mais como um guia mesmo.

Gravo no VOICE RECORDER.

Depois eu coloco pra tocar esse audio da bateria, e com o mesmo app gravo o violão ou guitarra bem cima desse audio original.

Em seguida, utilizando o mesmo processo, eu gravo a voz por cima desse audio. Uso um microfone de fone de ouvido mesmo. Coloco dentro de uma caixa de sapatos semi- aberta para dar um reverb e um eco na voz.

Por ultimo, entra o baixo. Nas músicas mais simples, eu mesmo gravo. Se a mùsica é mais complexa, envio o audio para meu amigo Rafael Malardo fazer isso. O cara é um excelente baixista. 


Mixando

Feito isso, eu salvo esse áudio final no Google drive, faço download no computador e aí trabalho no AUDACITY como uma única faixa, colocando alguns efeitos sonoros, e equalizando a mùsica como um todo.


Finalizando

Feito isso, eu crio uma arte para a faixa gravada.

Baixo imagens gratuitas pelo site Freepik, e depois edito no site de diagramação CANVA, também gratuito.


Compartilhando

Aí o ultimo passo é upar a faixa junto com a arte no Bandcamp e também no SoundCloud.


Divulgando


Não tenho muita neura quanto a isso. Divulgo em algumas comunidades de Horror Punk lá fora, no Facebook e Instagram. E em algumas comunidades aqui.

Também faço posts frequentes na minha página pessoal, para apresentar as músicas para um público mais geral. 

sábado, 24 de abril de 2021

Horror Punk e Música Erudita - Tudo a ver

  O artigo de hoje vem com uma proposta um pouca diferente e ousada. Traçar o que o Horror Punk tem em comum com mùsica erudita. 

A verdade é que existem vários pontos em que Horror Punk e Mùsica Erudita se tocam, e como NINGUÉM falou disso até agora, eu serei o chato e mala que fará. Sinto muito por isso.

"Ahhhh, TLHP, mas Horror Punk é atitude, é morte, é choque!".

É tudo isso sim. Mas também é um estilo musical, e por isso tem muitos aspectos além desses.


Antes, uma palavrinha sobre minha formação musical e o por que de abordar esse tema. 

Eu me formei em Mùsica - Licenciatura e Violão Erudito pelo Instituto de Artes da Unicamp. Nunca fui muito de ouvir música erudita, na verdade. 

Mas sempre tive verdadeira obsessão por teoria musical e historia da mùsica, e o melhor lugar pra me aprofundar nisso seria estudando mùsica erudita. 

Mas meu lance sempre foi rock e Heavy Metal, mùsica pesada em geral e logicamente o Horror Punk.


O tema da Morte e do Horror

Horror. A característica mais importante do Horror Punk. Nas letras, nas artes, muitas vezes nas vestimentas... Horror em tudo. Baseando-se em filmes de terror trashs ou em casos reais sinistraços, o Horror é o motor do estilo.

A música Erudita SEMPRE teve ligação com isso também. Tem muita história bizarra e macabra no estilo.

O compositor Dvorak compôs uma obra  inteira em 1874- Danse Macabre - que contava a historia de esqueletos que se levantavam dos túmulos em uma noite de Lua cheia, e começavam a dançar grotescamente entre eles.

Isso é Horror Punk total.

Durante a segunda guerra mundial, em 1941, o compositor francês Olivier Messiaen  escreveu uma música chamada "Quarteto para o Fim dos Tempos", uma composição erudita que falava do Apocalipse e do fim do mundo.

Detalhe: ele estava em um Campo de Concentração nazista na Polônia. Todos os outros músicos também. E a peça foi apresentada para os soldados alemães e outros prisioneiros que ali estavam.

A maioria dos músicos foram mortos dias depois.

Não consigo imaginar algo mais sinistro que isso.


Era comum membros da nobreza procurarem grandes compositores para que esses conpusessem "réquiems", musicas fúnebres para tocar em enterros. Muitas vezes, a mùsica era para o enterro da propria pessoa que estava encomendando.

Imagina a cena: o cara chegava pro Mozart e falava: "Quando eu morrer, eu quero uma música assim..." 

E aí ficava do lado do compositor, dando dicas e instruções do que ele queria ou não que tocasse no enterro dele.


Praticamente todos os grandes compositores dos períodos barroco e clássico fizeram isso: 

Vivaldi, Bach, Haendel, Mozart, Beethoven.


Sonoridade


Não é apenas no tema que Horror Punk e Mùsica Erudita se tocam. No som também.

Toda vez que os compositores eruditos querem abordar algo sinistro ou macabro, eles utilizam técnicas e instrumentos que conferem uma característica agressiva ao som, áspera, dura e direta.

É comum o uso de percussão nessas composições, com ritmos mais constantes e acelerados. Vide a mùsica do Dvorak.


Som áspero, agressivo, direto...onde mais temos isso mesmo?!?



Logicamente, eu não estou afirmando que a mùsica Erudita influência ou influenciou o Horror Punk. Sei muito bem que maioria dos fãs de Horror Punk está cagando total pra musica clássica. Acreditem, eu também estou.


Mas fato é que TODA a mùsica atual, querendo ou não, recebe influência do que foi feito no passado.

Você pode negar isso, claro. Da mesma forma que você pode negar que a Terra seja redonda ( ligeiramente achatada nos pólos).


E como falei, é só uma análise.


Ainda pretendo ir mais fundo nessa questão no futuro, com um artigo mais enfadonho ainda.



sexta-feira, 23 de abril de 2021

O Horror Punk nacional em tempos de Pandemia - Reflexões

 

O Horror Punk em tempos de Pandemia – Reflexões

 

Bom, galera, essa matéria tem a ideia de ver de que forma a cena horror punk nacional se adaptou a esses tempos de isolamento social, e acima de tudo, deixar claro como o cenário de nosso estilo musical soube lidar de forma positiva com alguns problemas que já existiam muito antes da pandemia acontecer.

Vou falar dos aspectos positivos dessa fase para o horror punk, mas vejam bem: eu NÂO estou dizendo que a pandemia foi uma coisa boa! Se você entendeu isso, vá se tratar.



Eu estou dizendo que por causa dela, TODO mundo teve que se adaptar, e no cenário musical todas as cenas tiveram que se reinventar, e algumas souberam aproveitar esse momento melhores do que outras, como foi o caso do horror punk.

Também gostaria de dizer que eu vou SIM tocar no assunto das panelinhas dentro da cena. Sei que muita gente está cansada de ouvir falar disso, outros não concordam, mas enfim: é o MEU blog, o MEU texto, e o plano não é fazer carinho na cabeça de ninguém, mas sim dar minha opinião (de merda) sobre isso.

EU nasci, cresci e vivi em comunidades rurais. Atualmente, moro em um sítio muito afastado da cidade. Sempre estive “fora” da cena, literalmente.

Mas não foi por falta de tentativas. Quando eu era adolescente e tinha as raras ocasiões de ir em festivais do estilo (ou algo próximo), sempre rolava uma piada sem graça, uma desconfiança, afinal, eu não estava “vestido de punk rocker”.

Quando eu começava a falar das bandas que gostava, sempre tinha um filho da puta que perguntava: “Ué, mas você não curte Almir Sater? Chitãozinho e Xororó?”.

EU ficava puto da vida, e tinha que explicar pacientemente que não estava nos “trajes” simplesmente porque não tinha dinheiro para isso, para “ser visto como igual” pela galera.

Ir em shows era algo quase impossível, e continua sendo, e falo antes da pandemia.

Ouvia falar de festivais em barzinhos em São Paulo, Itanhaém, na Lua, e ficava maluco, querendo muito fazer parte de tudo isso.

 

Aí veio a pandemia.


Eu que já moro isolado de tudo, tive que ficar mais isolado ainda, uma vez que minha esposa e meus sogros (meu sogro faleceu recentemente, por sinal) são todos do grupo de risco.

Mas ao contrário do que eu esperava, eu comecei a perceber que a cena que eu tanto admirava se abria. Estava mais fácil para alguém enfiado no meio da roça acompanhar o que o Horror Punk estava trazendo, com meu celular e um plano de 80 reais da Vivo.

Apresentações musicais que antes só poderiam ser assistidas naquele barzinho de motoqueiros em Limeira, ou Campinas, ou na Puta que Pariu, agora eu podia ver transmitido pelo facebook.

Logicamente, algumas bandas transmitiam coisas antes, mas depois da pandemia foi muito maior esse movimento. Se eu perdesse a exibição ao vivo, depois o vídeo estaria lá, na página da banda para assistir.

Percebi também que algumas bandas começaram a se comunicar mais com o público.

Porque vou falar: tem banda que parecia se esforçar na falta de comunicação.

Claro, casos específicos, não quero generalizar, mas que ainda sim aconteciam com frequência maior do que deveria acontecer.

Além de Horror Punk, eu acompanho outras cenas, algumas próximas como a cena do metal, outras bem distantes, como a cena da música erudita.

Ambas, a cena metal e o pessoal do erudito, se encolheram na pandemia. Algumas bandas praticamente sumiram no quesito comunicação.

O Horror punk fez o caminho contrário; se expandiu.

 

Para as bandas, eu acredito que deva ter sido tempos muito difíceis. Dificuldades para ensaiar, dificuldades para gravar suas músicas e discos, todos os festivais e apresentações cancelados. Com certeza deve ter ocorrido queda de vendas daquelas que trabalham com material físico.

Mas até onde percebo, a galera se esforçou muito para manter a chama acesa.

Tenho certeza que muita gente como eu, que ficava lá de fora, só olhando, se sentiu seguro pra se aproximar da galera nesses tempos.

Aqui, do lado de cá do meu celular, escrevendo isso, não importa se eu estou vestido igual o Chico Bento ou igual ao cara do Misfits.

É isso.

Espero que quando tudo isso passar, a galera mantenha todo o saldo positivo, e não regrida para algum ponto anterior.

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Opinião: BLAST FROM OBLIVION - TO HELL AND BACK

 Fala, people, tudo joinha?



Hoje na sessão "Opinião", vou falar rapidamente de um disco que escutei hoje pela primeira.

Trata-se do disco "To Hell and Back", da banda nova iorquina de Horror Punk Blast from Oblivion.

Lançado em 2014, a banda aposta, segundo as próprias palavras, em um "Horror Punk com influências de trash metal".

Eu gostei do som dos caras, apesar de achar um exagero dizer que é um mix de Horror Punk com trash.

Todas as músicas apresentam um estilo Horror Punk bem tradicional, na verdade. 

O trash talvez faça referência ao estilo vocal adotado, que fica em um meio termo entre o gutural e o rasgado. E pra ser sincero, acho o vocal a parte mais fraca do disco. 

Não chega a comprometer o trabalho, mas deixa absolutamente TODAS as músicas com a mesma cara, tornando a escuta do álbum inteiro um pouco maçante.

Mas enfim, entre prós e contras, escutar esse disco não é perda de tempo, e tem passagens realmente boas.

A produção é meio vacilante, mas isso sinceramente é algo que nunca vai me incomodar.

 Como sempre gosto de frisar, eu fico muito mais com um pé atrás quando esbarro em produções cristalinas do que com produções podreiras.

Da pra escutar o disco todo aqui no Bandcamp da banda:

https://blastfromoblivion-sbbr.bandcamp.com/album/to-hell-and-back

Aurora - Yes: Seguindo Firme e Forte (Resenha)

  A banda YES é um verdadeiro monumento dentro do rock progressivo. A banda, que se iniciou lá no final dos anos 60, marcou para sempre o gê...