sábado, 9 de setembro de 2023

RESENHA: Nekrotério - Surf in Nekrópolis

 E hoje vamos analisar o álbum de 2016 da banda mineira Nekrotério. A banda faz um horror punk pesadíssimo com vocais quase guturais e com influências de psychobilly e surf music.

O disco possui 14 faixas, sendo uma delas um bonus track com um cover de Saturday Night do Misfits.

O disco começa com uma faixa instrumental calcada na Surf music e no psychobilly. É uma introdução bem interessante, pois embora não possua letra, existem alguns gritos e grunhidos ao longo dela que realmente remetem a uma atmosfera de horror.

Em seguida temos "Vestígios na mesa de nekrópsia", onde escutamos de fato todas as características da banda: um som extremamente pesado, guiado pela guitarra e com mudanças bem interessantes de andamento ao longo da canção. Essa musica tem um solo de guitarra caótico que surpreendentemente se encaixa muito bem no conjunto da obra. O vocal é grave, quase gutural na maior parte do tempo. Eu gostei muito do vocal, pena que nessa música as vezes ele fica com um som baixo, tornando difícil de entender o que está sendo cantado. Mas nada que estrague a audição.

A terceira música é "Psycho Girl", uma música cantada em inglês. Essa faixa é muito bacana e não fica a dever em nada ao horror punk cantado em inglês que está sendo feito lá fora.

"Possessão" vem logo na sequência, e tome mais porrada. O refrão é grudento e é difícil não cantar junto logo na segunda vez.

"Mortos Vivos à solta por aí" traz de volta a influência do psychobilly, mas um psychobilly pesadíssimo. Possui um riff de guitarra no refrão que é memorável.

E aí seguimos com uma série de musicas muito boas.

Em um certo momento temos "Contos do Nekrotério", que eu considero a melhor música do disco.

Em resumo: o disco todo é muito bem composto e tocado. A bateria é precisa, a guitarra é bem criativa, o baixo faz o que tem que fazer e tudo funciona muito bem junto.

A produção é boa e acertou em cheio em deixar o som mais "áspero" que combinou bastante com a identidade da banda. Um som mais cristalino iria soar deslocado (isso, claro, é minha opinião).

Mesmo sendo 14 faixas, o disco possui pouco mais de 27 minutos. As musicas são curtas e diretas e não há tempo para "frescuras" musicais aqui. 

É um disco de horror punk que pode com certeza agradar fãs de outras vertentes de musica pesada.

Curiosidade: A música "Difunto Azedo" lembra muito a fase do Titãs do disco Titanomaquia, incluindo no final.

Você pode escutar o álbum aqui:



terça-feira, 5 de setembro de 2023

Resenha Marota: Anjos Rebeldes 4 (Uprising)

 E hoje vamos de resenha de um filme bem Underground, ainda que seja parte de uma franquia relativamente popular.

Eu confesso que desconhecia a existência dessa 4° parte (e também da 5° parte) até poucos dias atrás.

Encontrar o filme para assistir foi uma outra luta épica. Enfim, de posse do filme e com pipoca, vamos a resenha.

Continuação ou Spin-off?

Anjos Rebeldes 4 não deixa claro se é uma continuação dos anteriores ou um Spin-off totalmente independente. Ainda que a história tenha um plot totalmente novo, existem referências á personagens presentes nos filmes anteriores.

Eu particularmente encaro como um Spin-off. 

Dito isso, tentei assistir sem ficar comparando com os lançamentos que já existiam.


Qual é a história?

A história gira em torno de um tomo místico conhecido como "Lexicon da Profecia", um artefato que tem o poder de registrar o final dos tempos e o resultado da guerra nos céus. Por conta disso, tanto anjos quanto demônios (anjos Caídos) estão aqui na terra em busca de tal livro, que está de posse de uma mulher - Allison - com um passado sombrio e traumático.

O filme tem um tom investigativo, uma vez que a maioria das cenas envolvem o trabalho de um policial, irmão de Allison, e um misterioso agente federal, que mais para frente sabemos exatamente quem era. 

Novas Regras

O filme introduz algumas novas regras a franquia. Por exemplo, nos primeiros filmes cada anjo assumia uma única forma humana, que serviria como seu "avatar", por todo tempo em que ele permanecesse na Terra. 

Já aqui os anjos podem transferir as suas essências para dentro de corpos humanos. Aqui os Anjos também podem se manifestar imaterialmente com muito mais frequência.


O que tem de bom?

Olha, sendo sincero, quando fiquei sabendo que esse filme existia e fui atrás do material promocional dele, logo achei que seria uma bomba completa. E justamente por estar com as expectativas lá embaixo, tive algumas boas surpresas.

O elenco é surpreendentemente bom. São bons atores em interpretações dignas. Algumas cenas inclusive são salvas por esse fator.

Em segundo lugar, o plot original é interessante realmente. Lembra os filmes anteriores sem parecer um Reboot. 

Outro ponto positivo é a locação. O filme se passa em Bucareste, na Romênia, um lugar MUITO bonito e com uma aura de mistério que contribui muito para dar ao filme um ar místico.


O que tem de ruim?

Algumas coisas no roteiro ficam confusas. Por exemplo, um dos anjos é chamado de "Simon", e não fica claro se é o mesmo "Simon" que aparece no primeiro filme.

A direção é um pouco insegura e fica só no básico, deixando cenas que poderiam ser bem dinâmicas (ou simplesmente bonitas) um pouco apagadas.

E o final é totalmente inconclusivo. Mas esse último aspecto pode ser perdoado pois no mesmo ano foi lançado "Anjos Rebeldes 5", que continua a história exatamente onde essa termina aqui.


Balanço Geral

O filme não chega perto do original, mas TB não compromete. Dificilmente alguém irá se empolgar com ele, da mesma forma que dificilmente alguém odiará com todas as forças. O filme tem boas ideias, sendo que algumas são aproveitadas e outras não.

O capítulo 5 ajuda a entender algumas coisas que ficaram soltas aqui, então vou me aprofundar mais na resenha deste.

Nota: 6/10

sábado, 2 de setembro de 2023

O que o Horror Punk BR trouxe de bom para minha vida? - Texto N° 100 do blog

E chegamos ao número de 100 posts aqui no blog.
Fazer qualquer coisa 100 vezes exige um investimento de tempo grande, seja isso um trabalho ou não.

E pra comemorar, resolvi fazer texto curto respondendo a pergunta do título:

"Tarcisio, o que o Horror Punk BR trouxe de bom para você?"
Bom, meu primeiro contato com o Horror Punk brasileiro foi na virada dos 2000, quando conheci o Zumbis dos Espaço. Lembro que achei legal, mas confesso que estava em outra vibe naquela época (estava estudando musica horas e mais horas por dia, e praticamente só escutava prog metal).
O tempo passou até que por volta de 2013 eu acabei esbarrando novamente no Horror Punk BR, dessa vez através da coletânea "Isso é Horror Punk Brasil" vol.1. E os outros volumes também.
Foi aí que conheci Pesadelo Brasileiro, Nekrotério, Graboides, Difuntos, Medonhos e muitas outras. 
Inclusive é o que estou ouvindo ela enquanto escrevo isso.

Em 2014 começei a escrever para o Whiplah.net. Escrevia sobre tudo, de metal melódico à trash metal, mas também comecei a colocar uma ou outra matéria lá sobre horror punk, psychobilly e gêneros similares (esses textos ainda estão lá).

Um novo capítulo no entanto ocorreu em 2020, quando fui diagnosticado com COVID e precisei ficar de quarentena. Em 2020 ainda não existia vacina e na verdade pouco se sabia sobre o vírus. Eu tinha um bebê de 1 ano de idade, e minha esposa faz parte do grupo de risco. Resultado: Precisei fazer uma quarentena rigorosíssima. 
Com o tempo livre, comecei a procurar Horror Punk BR e foi nesses dias que conheci muitas outras coisas muito fodas, como Sertão Sangrento, Difunteria, Invasores de Tumbas, Monster Trio, BrainEaters. E aí minha cabeça explodiu de novo e virou meu estilo favorito.

E foi ouvindo o programa HORRORAMA que me veio a ideia de começar a gravar minhas músicas, e posso dizer com toda certeza que foi a melhor coisa que eu poderia fazer.

E nessa onda de produzir material veio a finada HORROR PUNK MAGAZINE, que durou 2 anos.
Graças a tudo isso, hoje tenho a honra enorme de trocar ideia com músicos que admirava imensamente e que jamais imaginaria que teria algum tipo de contato.

Poder mandar mensagem para caras como Poppeye (sertão Sangrento), Zé Máximo (Difunteria), Pinga (Pesadelo Brasileiro) e outros ainda é uma experiência surreal para mim, pois ainda continuam sendo minhas referências dentro do estilo, além de pessoas muito bacanas.

Graças aos trampos com a HORROR PUNK MAGAZINE pude aprender o básico de design gráfico, que por sua vez me permitiu começar a diagramar livros, e hoje lançar meus próprios livros e diagramar livros de terceiros virou uma das principais fontes de renda da minha família.

Tirar as músicas de ouvido das bandas que eu ouço me fez voltar a estudar musica novamente depois de quase uma década sem fazer isso.

O Horror Punk tb me fez voltar a consumir mais hqs e filmes de horror, especialmente os clássicos das décadas de 50, os filmes-B dos 70's e a trasheira da década de 80.

Na verdade eu poderia ficar até amanhã escrevendo aqui!

Um abraço e que venham mais 100 textos.


terça-feira, 29 de agosto de 2023

A Estética do HORROR PUNK

 O horror punk não é apenas um gênero musical, é também uma estética visual que transcende os palcos e se estende para o universo da arte, da moda, da cultura pop e do design. 

Marcado por uma fusão de elementos macabros, imagens sombrias e referências a filmes, livros, seriados e HQs de terror, a arte e o design dentro do horror punk desempenham um papel fundamental na criação da identidade única do nosso gênero.

De forma rápida,vamos dar uma olhada em alguns elementos.

 1. A Capa dos Álbuns como Expressão Artística

Uma das maneiras mais visíveis pelas quais a arte e o design se manifestam no horror punk é através das capas de álbuns. Essas capas muitas vezes apresentam imagens ousadas e provocativas, incorporando elementos como caveiras, zumbis, criaturas monstruosas e cenas de horror. A estética retro e a sensação DIY frequentemente presentes nas capas evocam uma atmosfera única que ecoa os clássicos filmes de terror.

 

2. Iconografia Distinta

A arte do horror punk é caracterizada por uma iconografia distinta. Símbolos como o crânio, teias de aranha e pentagramas frequentemente aparecem nas ilustrações e designs, criando uma conexão visual imediata com o gênero. Esses símbolos icônicos não apenas reforçam a estética, mas também conectam os fãs a uma comunidade unida por um visual distinto.


3. DIY e Autenticidade

Uma parte essencial da arte e do design no horror punk é a abordagem "faça você mesmo" (DIY). Muitas bandas e artistas do gênero criam suas próprias capas de álbuns, pôsteres e mercadorias, enfatizando a autenticidade e a conexão direta com sua base de fãs. Essa abordagem DIY não apenas fortalece a estética do horror punk, mas também mantém viva a tradição punk de subverter as normas estabelecidas.

 

4. A Evolução da Estética

Ao longo das décadas, a estética do horror punk passou por evoluções, incorporando influências de diferentes épocas e subculturas. Enquanto algumas bandas mantêm a estética vintage original, outras exploram interpretações modernas, introduzindo elementos contemporâneos de design e tecnologia.


 

5. Impacto Cultural Duradouro

A arte e o design no horror punk não se limitam apenas à música; eles influenciam a cultura popular de maneiras diversas. Elementos visuais do horror punk podem ser vistos em filmes, quadrinhos, moda e em tatuagens. Essa influência cultural demonstra a ressonância duradoura da estética do horror punk e sua capacidade de transcender fronteiras artísticas.

Quem é Glenn Danzig na fila do pão? E o que ele tem a ver com Horror Punk BR?

Atenção

Se você veio aqui achando que ia ter treta e polêmica, parabéns: você acaba de ser vítima do chamado "clickbait", quando o título é feito para fazer a pessoa clicar em algo independente de o conteúdo ter relação ou não com ele.

Agora você tem duas opções: sair daqui, ou ver o que eu tenho a dizer sobre Glenn Danzig e sua importância e influência no Horror Punk BR.

Ah, lembrando: Neutro aqui em casa é só o shampoo do meu filho. Muita vezes deixo minha opinião, vocês podem discordar tranquilamente. 
Mas esse lance de ser neutro o tempo todo para mim nunca soou bem....

Glenn Danzig e sua Importância

Falar de Glenn Danzig é falar de um cantor cujo impacto vai muito além da sua voz. A importância de Danzig se deve a um fato que nem sempre é falado: muito mais que um estilo de cantar e compor, Glenn Danzig é um cara que sempre teve clara toda estética que ele queria imprimir em tudo que ele fizesse, estética essa que ia desde sua voz, passando pela sua postura de palco,visual e até o tipo de gravação e sonoridade de cada instrumento em cada CD.

Goste você ou não do baixinho, é inegável que ele sempre foi um artista com características únicas e um estilo pessoal reconhecível desde os primeiros segundos. Ele SEMPRE teve claro como queria que sua música soasse, mesmo quando enveredava para outros estilos, como o industrial durante a década de 90.

Não haveria horror punk sem Danzig, e ouso  dizer que muitos outros gêneros como doom metal, occult rock, industrial e gothic metal seriam bem diferentes se não tivesse existido Glenn Danzig.

Quem é Glenn Danzig na fila do pão?
Um dos músicos mais influentes da história da música moderna.

Outra coisa que desperta muito a atenção é o fato do músico tentar levar sua estética para outras mídias, seja atuando (como no filme Anjos Rebeldes 2), escrevendo e dirigindo cinema, seja roteirizando HQs...em cada uma dessas mídias fazendo trabalhos 100% autorais. Curtindo ou não, sabemos logo de cara: "Isso é TÃO Danzig!".

DANZIG e o Horror Punk BR

Agora a pergunta que não quer calar: qual a maior influência direta que DANZIG trouxe ao Horror Punk Brasileiro?

Bom, dentre as características do horror punk nacional que eu gosto, certamente o espírito do "faça você mesmo" sempre foi o que mais me cativou.
As bandas nacionais de horror punk sabem mais do que qualquer outra a contornar dificuldades financeiras e técnicas para lançar seus sons. 
E sabem sempre manter as características sem se render as comodidades do mercado e dos estúdios.

Essa filosofia "Faça você mesmo" ganhou exposição mundial no cenário da música pesada com a cena norueguesa de Black metal do início da década de 90. 
Claro, o punk dos 70 já havia feito isso, mas não podemos nos esquecer que ainda na virada dos 80 houve uma desilusão com o punk, traduzida pelo movimento post-punk e o new wave, que tomava o caminho inverso: tudo era pomposo, tudo era pretensioso...

Mas a verdade é: mais de uma década antes do Black metal, e quando a atitude punk passava a ser considerada velha, Glenn Danzig perseverança e já fazia o mesmo em absolutamente todos os seus projetos.
E ele manteve essa característica ao longo da carreira até os dias atuais.

Então se existe um grande divulgador do DIY na época em que o horror punk começou a se formar no Brasil, direta ou indiretamente, esse cara foi Glenn Danzig. 
E mesmo quando não estamos conscientemente pensando nisso, toda a nossa postura em relação ao horror punk aqui no Brasil bebe dessa filosofia.
Eu costumo dizer que existem 3 tipos de músicos:

- Aqueles que vão sempre tenta agradar determinado público, mesmo em detrimento de sua própria visão artística
- Aqueles que vão tentar manter a balança entre o que ele QUER fazer e o que seu público QUER ouvir
- E aqueles que vão se manter extremamente fiéis aos seus ideias artísticos, preferindo perder público do que abrir concessões.

Eu respeito as 3 posturas. Cada um sabe onde a vida aperta e as contas que tem que pagar, as bocas que precisa alimentar e os remédios que precisa comprar. Não vou ser hipócrita de apontar dedo para que faz o que precisa para viver com dignidade.

Mas Danzig foi um cara que optou por essa terceira via, mais radical, e foi um exemplo de que essa via também pode dar certo sim (no caso dele, MUITO certo).

E tem muita gente no cenário horror punk Br seguindo essa escolha.

Então, viva Danzig e viva Horror Punk BR!


Resenha Marota: ANJOS REBELDES 2

 Ontem a noite aproveitei a insônia para revisitar o filme de suspense/horror moderno/fantasia ANJOS REBELDES 2, cujo título original é "The Prophecy II" (ou "God's Army II" dependendo do local em que foi lançado).


O primeiro ANJOS REBELDES, escrito e dirigido por Gregory Widen, o mesmo criador de HIGHLANDER 1, é um clássico absoluto, sendo na minha opinião um filme simplesmente perfeito, que conta sobre uma guerra nos céus desencadeada pelo arcanjo  Gabriel, enciumado do amor de Deus pelos Humanos. Gabriel é magnificamente interpretado por Christopher Walken, 

Nesse primeiro filme, Gabriel vem a terra em busca da alma humana mais cruel que já existiu, o general Hawthorne, para se apossar dos conhecimentos necessários para vencer a guerra nos céus, uma vez que humanos entendem mais disso do que os próprios arcanjos.

Mas a alma foi escondida dentro de Maria, uma garotinha que mora em uma reserva indígena. Foi o anjo Simão que a colocou dentro da menina, no intuito de escondê-la longe do alcance de Gabriel.

Apenas um seminarista e agora policial,Thomas Dagget e a professora da reserva Katherine podem impedir Gabriel de conseguir a alma.


Antecedentes 

A princípio, não estava programado uma continuação para o filme 1, uma vez que ele se encerra sem pontas soltas.

Mas, logicamente devido ao grande sucesso da história e acima de tudo à aclamação recebida pelo ator Christopher Walken pelo seu papel, o estúdio então decidiu encomendar uma sequência.

O escritor original, Gregory Widen não se interessou pelo projeto e outros roteiristas foram chamados. A única exigência que o estúdio fez foi que o personagem Gabriel deveria retornar (mesmo tendo morrido no final do filme anterior) e ter grande destaque na história.

O cantor Glen Danzig, então no auge de seu sucesso, foi convidado a interpretar o anjo Samayel, um servo de Gabriel e que morre depois de 30 segundos de tela, sem nenhuma fala.


A História

O ex policial e agora monge recluso Thomas Dagget começa a escrever profecias sobre um filho de um anjo com uma humana - um Nephilim - cujo destino seria unir as diversas facções que ainda guerreavam no céu e unir a Terra com o Paraíso.

Cumprindo a profecia, o anjo Daniyel vem a Terra e seduz a humana Valerie, que engravida.

Paralelo a isso, o próprio Diabo devolve Gabriel à Terra, dizendo que o inferno era pequeno demais para os dois.

Porque Gabriel aparece vivo aqui mesmo depois de ter seu coração arrancado por Lúcifer no filme anterior é um mistério. E uma das regras desse universo é que um anjo morre definitivamente ao ter ser coração arrancado por outro anjo. Mas enfim...

Gabriel, já sabendo da profecia de Thomas, começa a caçar Valerie, pois ele pretende continuar com a guerra nos céus até que não sobrem mais humanos.

Valerie então precisa encontrar, junto com Daniyel, uma maneira de escapar e sobreviver.

Essa fuga os leva até o Éden, atualmente um parque industrial abandonado e sinistro, onde encontram o arcanjo Miguel, que se recusa a protegê-la.


Opinião

Anjos Rebeldes 2 não tem nem 1/3 do charme do seu antecessor. Mas verdade seja dita, o filme possui um roteiro bem interessante que soube trazer muitos elementos novos para a saga, e atuações razoáveis. Christopher Walken mais uma vez brilha e dá um show de atuação, fazendo a gente esquecer que a presença do personagem dele na trama foi feita de forma totalmente forçada.

A direção não tem a classe do primeiro, mas não chega a ser pavorosa. É razoável. A trilha sonora continua muito boa (senda na verdade praticamente a mesma do primeiro filme).

Como pontos negativos eu colocaria o "desprezo" do roteiro por alguns acontecimentos importantes do filme anterior, como a morte de Gabriel, o fim da guerra nos céus, e também a forma como os personagens do anterior que aparecem aqui são tratados quase que de forma irrelevante.

Mas...considerando que foi um filme totalmente feito com o único propósito de arrecadar dinheiro em cima do sucesso do nome, o resultado poderia ter sido bem pior. 

O filme não é uma obra prima (como Anjos Rebeldes 1), mas diverte e acima de tudo expande o universo apresentado de forma interessante. 

O filme 3 seria uma continuação direta dessa história, mas vamos falar dele em um momento futuro. E também tivemos a parte 4, que dividiu opiniões. Logo aparece aqui também.

Nota: 7/10


sábado, 26 de agosto de 2023

8 Discos para iniciar alguém no Horror Punk Brasileiro

 Fala Galera, tudo jóia?

Hoje apresento uma lista, a primeira de muitas, de discos que eu considero excelentes portas de entrada para dentro do universo do horror punk nacional.

Acho que são discos muito bons para indicar para amigos e amigas que estejam começando a se interessar pelo gênero.

Quais os critérios eu utilizei?

Apenas o meu gosto pessoal. Em nenhum momento estou dizendo que esses discos são melhores que todos os muitos outros que fazem parte da cena. Estou dizendo que esses discos foram importantes para mim e toda vez que penso em "Horror Punk brasileiro" acabo pensando neles.

Simbora então!


1- MONSTER TRIO - PLANETA TERROR

Disco de 2017 da banda carioca. Aqui temos um horror punk com muita melodia e refrões grudentos, e letras cheias de referências a grandes clássicos do cinema de horror.

É um disco muito fácil de escutar, as musicas são diretas e o clima é bem despretensioso, casando perfeitamente com a temática das letras apresentadas. Composições sólidas, execuções corretas e uma gravação interessante.
Onde ouvir: 


2 - ZUMBIS DO ESPAÇO - DESTRUCTUS MAXIMUS

Lançado em 2009, esse disco apresentou um Zumbis mais pesado, colocando além do punk muitas influências de heavy metal. É um disco absurdamente bom e atesta porque Zumbis do Espaço é considerado o maior representante do gênero no país. Esse disco também marca uma evolução enorme da banda no quesito técnico. Todos os elementos aqui - incluindo os vocais - são muito bem trabalhados.

Um excelente disco para pegar estrada e parar em butecos ao longo do caminho.
Onde ouvir:


3 - TLHP GRAVEYARD - A MORTE VEIO ANTES DO SEGUNDO TAKE

Sim, vai ter disco meu nessa lista sim. Não vejo sentido fazer um som e não gostar do próprio som tanto quanto de outras pessoas. Eu adoro esse disco.

Aqui temos um disco apenas com músicas cantadas em português, versando sobre lendas rurais, apocalipse zumbi e, claro, alienígenas.

A gravação é muito underground: o disco todo foi gravado, editado e masterizado utilizando-se apenas aplicativos e softwares gratuitos. Tosco em todos os sentidos.
Onde Ouvir:



4- DIFUNTERIA - TODO MAL

Lançado em 2017, aqui temos um horror punk mais agressivo, pesado. Muita influência de punk rock old school e até mesmo de hardcore fazem desse um disco rápido e direto. E mesmo com essas características, ainda temos backing vocal interessantes e letras bem escritas. Pancada atrás de pancada, sem pausas!
Onde ouvir:



5- LUTO HORROR CLUB - HELLCOME

Lançado no começo de 2023, o Luto apresenta um disco muito bacana, com muitas influências de Misfts e musicas cantadas em Inglês. A banda tem um som bem melodioso, o que tem garantido bastante atenção lá fora em relação à banda.
Onde ouvir:


6 - ISTO É HORROR PUNK BRASIL - VOL 1

Aqui temos a famosa coletânea que popularizou o horror punk em nosso país. Esse disco é fruto de muita união e movimentação entre as bandas do underground, e certamente é um marco na história da musica independente brasileira. Foi aqui que muitas bandas que se tornaram clássicas apareceram pela primeira vez.
Onde Ouvir:


7- SERTÃO SANGRENTO - VIDAS SECAS

Aqui temos um som pesado e denso, onde dentro do horror punk também vemos certas criticas sociais bastante pertinentes. Com aquela que considero a melhor capa de toda a história do horror punk nacional, esse disco é uma paulada na orelha.
Onde ouvir:


8- PESADELO BRASILEIRO - FOME

Aqui temos um horror punk cru, feito com muita raça. O legal desse disco (e de todos os álbuns da banda) é que eles realmente tentam deixar tudo o mais natural possível, e trocam muitas vezes uma super produção para poderem transparecer a garra por trás de cada música. Ouvir um disco do Pesadelo Brasileiro é ouvir um disco na certeza de que é feito por que ama muito o |!faça você mesmo" e o horror punk.
Onde ouvir:


quinta-feira, 3 de agosto de 2023

RESENHA: Jerry only - Anti-Hero (2022)

Resenha: Jerry Only – Anti Hero (2022)

No final do ano passado, Jerry Only, um dos fundadores do Misfits e portanto um dos pais do próprio Horror Punk, lançou o disco solo “Anti-Hero”, um disco com 8 músicas condensadas em pouco mais de 25 minutos de duração.

Minhas Impressões

“Anti-Hero” no geral me lembrou muito o disco “Devil’s Rain”do Misfits, lançado em 2011 e que contava com Jerry Only nos vocais principais. No entanto enquanto Devil’s Rain, apesar de ser um bom disco, pecava em composições exageradamente longas e até certo ponto repetitivas, “Anti-Hero” apresenta composições mais diretas e sem “barriga”.

Jerry Only está cantando surpreendentemente bem e seus vocais estão ainda mais consistentes e variados do que em Devil’s Rain.

As duas primeiras músicas do disco – Fear the Walking Dead e Dead Men – são bem parecidas entre si, tanto em estrutura quanto em trabalho vocal. São boas, rápidas e corretas, mas ainda assim um tanto quanto genéricas.

É na musica 3, “Snake Eyes” que o disco começa realmente a brilhar. Snake Eyes é uma música pesada, como um trabalho vocal primoroso e melodias extremamente cativantes, que lembra muito o trabalho do Misfits em American Psycho ou Famous Monsters. Ainda que eu ache que em nenhum momento Jerry Only tenha pensado nisso, essa musica tem também um “quê” de gothic metal finlandes, me lembrando em alguns momentos Poisonblack ou mesmo as musicas mais leves do Sentenced.

Na sequência “Illuminati” vem numa pegada horror punk total, ainda com todo o palm mute e melodias grudentas da anterior. O refrão apresenta os famosos “ohohoh” de forma cavernosa. É uma música redondíssima, com um excelente trabalho de guitarras, principalmente nos momentos finais da composição.

“Taboo” é a quinta música do disco, sendo uma combinação perfeita de punk com o mais puro rock and roll anos 70. Se o Misfits se juntasse ao Deep Purple, o resultado seria “Taboo” (consigo facilmente imaginar uma versão do Deep Purple dessa canção). Ele inclusive tem um solo de guitarra extremamente virtuoso (considerando que estamos falando de um disco de horror punk). Essa é de longe o ponto alto do disco. Depois de escutar essa musica, a vontade é de escutar de novo, e de novo, e de novo...

"You are so Square - Babe I don't Care" vem logo em seguida, trazendo o punk com tudo, parecendo muito Ramones. É uma música bacana, mas realmente parece algo que o Ramones e os Misfits já fizeram 50 vezes antes.

“One Cell from you” sobe o nível novamente, com um horror punk com fortes influências de Hard Rock anos 80. Música de estrada, maravilhosa. Alguém precisa colocar isso aqui na trilha sonora de algum filme de terror.

E o disco se encerra com “Anti-Heroes”, uma composição bastante variada. Ainda que não tenha me cativado tanto, deixa claro o desejo de Jerry de tentar novos formatos e sair um pouco da fórmula que vinha seguindo.

Em resumo: Um discaço. Não se equipara aos clássicos da fase áurea dos Misfits, mas apresenta um horror punk consistente, bem cantado, bem ticado e bem produzido.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

LANÇAMENTO: HORROR PUNK MAGAZINE N°9

Olá!

É com grande alegria que hoje - dia 7 de dezembro de 2022 - é lançada a edição número 9 da HORROR PUNK MAGAZINE, o fanzine oficial do blog Tlhp Graveyard.

Essa edição está bem variada, entre outras coisas temos:

- Entrevista com o projeto Black Metal underground independente EU ME TORNEI O SOL
- Uma geral sobre a cena horror punk na Rússia e na Ucrânia
- Uma discussão sobre a relevância (ou não) dos blogs de música no cenário atual
- Um PAPO RETO sobre como é ser musico underground em um mundo onde tudo parece depender de likes

...e muito mais!

Vamos deixar a enrolação de lado e segue o link para download: HORROR PUNK MAGAZINE 9

sábado, 15 de outubro de 2022

Lançamento: Horror Punk Magazine 8 - Especial de Halloween

 Bom, galera, eis que chega em suas mãos - ou tela - a oitava edição da revista Horror Punk Magazine.

Esta edição é a edição especial de HALLOWEEN de 2022 e vem com uma proposta totalmente diferente das anteriores. Essa edição é voltada a arte obscura e sinistra do horror.

Mas não qualquer tipo de arte.

Recentemente temos visto o surgimento de vários programas e apps de inteligência artificial capazes de criar desenhos e pinturas a partir de texto. Você escreve o que você quiser, e essa IA irá transformar seu texto em uma imagem.

A mais famosa dessas IA é uma chamada MIDJOURNEY.

A que eu usei para criar as quase 40 artes seguintes foram os apps DREAM e o PHOTOLEAP.


Aqui o link para baixar:

https://www.mediafire.com/file/f3l27zw519vrz1l/Horror_Punk_Magazine_8.pdf/file

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Sobre o cenário Underground - 2 olhares

 Sobre bandas underground - Opinião


Nesses últimos meses, por conta do meu FANZINE, tenho tido contato COM MUITAS bandas underground e tenho percebido 2 tendencias de pensamento crescendo no meio Underground. Eis aqui:

1 - bandas desanimando com o próprio trabalho e pior: desacreditando da própria proposta, por conta do baixo (ou muitas vezes nulo) feedback em YouTube, Spotify e afins.

OPINIÃO: Essas bandas precisam entender que feedback em redes sociais e plataformas é muito mais consequência de um trabalho de marketing do que um trabalho musical. O que mais tem é artista desafinado com música zoada bombando nas redes. Sabe por que? Porque eles SABEM fazer marketing digital. 

E outra verdade difícil de engolir: vc pode ser o ninja do Instagram, o mago do Tik Tok e o melhor analista do Spotify...verdade é que 95% do marketing digital em música que alcança resultados REALMENTE capazes de trazer retorno concreto (de feedback ou mesmo financeiro) teve investimento por trás. Teve injeção de grana. As vezes pouca, as vezes muita. Logicamente vai ter aqueles 5% de artistas e bandas que vão bombar espontaneamente e sem um investimento maior,mas...mesmo que não seja exatamente 5%, ainda sim é a minoria esmagadora.

Outro ponto a se considerar é a questão de contatos e influencia. Por exemplo, vamos imaginar que amanhã surja um vídeo do Keanu Reeves ou do Neymar cantando um trecho de 10 segundos de uma banda. Não vai importar o estilo (sertanejo, jazz, blqck metal, prog, blues...), não importa a qualidade da gravação original (tanto faz se foi gravado no Abbey Road ou numa garagem com um discman da década de 90), não vai importar a afinação...fato é: o negócio VAI bombar e MUITO. Simples assim.


2 - Uma galera dentro da cena que desenvolve uma postura 110% empresarial meritocrata de sua banda. Gente que acredita piamente que é simplesmente fazer tudo "certinho" que o sucesso virá, e se não vir é porque não se esforçaram o suficiente. E acreditam que bandas "fracassam" pq não foram profissionais suficientes. 

OPINIÃO: Logicamente seriedade é uma qualidade maravilhosa, e trabalho duro indispensável para uma banda. Mas é MUITA ingenuidade achar que essa é a "fórmula infalível". A banda de rock Hangar é um exemplo de banda que levou essa postura ao extremo, reforçando em entrevistas muito mais o lado empresarial do que o lado artístico. Resultado: em alguns períodos a banda obteve bons resultados, mas na maioria essa postura gerou uma grande antipatia por parte da cena e de músicos que trabalharam para eles,e hoje os membros da banda vivem de workshops, aulas de música e freela, muito mais do que da banda em si (shows extremamente raros mesmo antes da pandemia, cds encalhados e quase zero atenção da mídia especializada).

Logicamente como no Brasil tudo é interpretado como 8 ou 80, logo aparece alguém aqui dizendo que eu recomendei que se faça tudo no esculacho e sem postura profissional. E claro que não foi isso que eu falei.

O que eu digo é: você pode encarar sua banda igual o Elon Musk encara a Tesla ou igual o Steve Jobs encarava a Apple; a minoria vai ter resultados satisfatórios ainda assim. Porque não vai adiantar nada agir assim sem grana para investir. Vai ajudar muito pouco agir assim sem bons contatos para shows. Vai adiantar muito pouco agir assim e ser escroto com mídias independentes e underground. Vai ajudar muito pouco agir que nem o Senhor Businessman e cagar para outras bandas da cena. 


E tem o fator SORTE, de estar na hora certa no lugar certo com o som certo,mas isso é tão subjetivo que prefiro nem entrar nessa discussão...

Aurora - Yes: Seguindo Firme e Forte (Resenha)

  A banda YES é um verdadeiro monumento dentro do rock progressivo. A banda, que se iniciou lá no final dos anos 60, marcou para sempre o gê...